sábado, 5 de setembro de 2026

Luís Neves - mais do que um simple caso de polícia

 

Uma das muito curiosas experiências que tive, no jornalismo, foi quando um determinado indivíduo - alguém que conhecia, através de amizades comuns - me telefonou a dizer que precisava de um favor. Nada que me surpreendesse, porque políticos e homens de negócios fazem parte da "clientela" que um jornalista tem que suportar, com pedidos que se dividem em duas categorias - 1) têm uma notícia para nos dar, cujo objectivo é tramar um adversário político mas querem que a notícia tenha destaque, que vá para a primeira página, por exemplo - 2) tentam saber quem fez chegar ao jornal uma notícia específica que, regra geral, tem a ver com eles, que foram o próprio alvo e por isso se tramaram. Não perdoam e querem saber quem foi o "bufo da cooperativa".

Num desses casos, o indivíduo foi directo ao assunto: "Paulo Reis, saiba-me quem foi que fez essa notícia que eu dou-lhe cinco mil contos."  Desviei a conversa, já não sei com que desculpa e ficou prometido bebermos um café para a outra semana. Isso, como eu lhe expliquei, dar-me-ia tempo para tentar descobrir o escriba da notícia - um pequeno 1/8 de página, já na secção dos diversos do jornal.

Larguei o telefone e fiquei ali, a acabar um cigarro e a fazer um esforço enorme para não me rir. O autor da notícia - um "fait-divert" de escassa importância, relacionado com as autárquicas de 1989 - tinha sido eu próprio. Cinco mil contos, naquela altura era muito dinheiro. Para se ter uma ideia, essa maquia corresponderia hoje a cerca de 43.000 euros. Na época da transição para o euro, em 2002, o primeiro-ministro tinha um salário, já com representações, de 5.500 euros brutos por mês (cerca de 1.100 contos). Claro que esse café nunca se concretizou, graças a repetidas desculpas da minha parte. 

Vem tudo isto a propósito de o ministro da Administração Interna, em público, gabar-se de já saber quem são as "fontes das notícias". É uma triste manifestação de baixeza política que Luís Neves venha agora a tratar os jornalistas como troféus de caça, tipo javali de Setúbal pendurado no salão do monte alentejano. Que lhe adianta - e que tipo de mentalidade está por detrás disto - saber, eventualmente, quem passou determinadas informações aos jornalistas? E se já sabe - diz ele - como é que o conseguiu?

Fez escutas telefónicas não autorizadas? Recorreu à análise de metadados, o que é proibido por lei? Pediu aos seus "fiéis" na Judiciária que vigiassem os colegas, andando-lhes na peugada, para saber se eles se encontravam com jornalistas? Mandou seguir os jornalistas que mais - e melhores - notícias davam? 

O brevíssimo Ministro da Administração Interna, nesta história das "fontes", confundiu o Germano com o Género Humano. Ao dizer aos jornalistas que já sabe quem são as "fontes", mostra que o mais importante, para ele, é descobrir as "Gargantas Fundas" da PJ. O mais importante para nós, povo, é saber se o ex-Director da PJ e agora - por pouco tempo - MAI, cumpriu a lei, se não pôs a mão ao bolso, se não fez favorzinhos aos amiguinhinhos". Em suma, o que fez e o que não fez, o que deveria ter feito e não fez.

Toda a gente se está a borrifar para quem deu as informações aos jornalistas. Toda a gente quer é saber o que é que Luís Neves fez, pormenores dos atrelados, do tanque que afinal até tinha uma escada de metal para os banhistas subirem e descerem. Aliás, dos reformados que partilham comigo o Correio da Manhã e A Bola, na pequena pastelaria onde tomo o pequeno-almoço, só ouvi até agora elogios - não ao ex-Director da PJ nem ao ministro da Administração Interna - mas sim, aos "jornalistas que atiram cá para fora essas malandrices e essa jogadas, que esses é que os lixam e bem (sic)"

Já agora, uma vez que Luís Neves falou em ter apanhado as "fontes", com o olhar triunfante do caçador que se senta ao lado do leão morto,espingarda na mão direita, para a foto do costume, deixe-me contar-lhe uma história, meu caro Luís Neves (os meus leitores perdoarão a informalidade, mas cruzámo-nos várias vezes na Praia da Luz quando ambos investigávamos o "Caso Maddie"). 

Tenho quase a certeza de que nunca ouviu falar de Daniel Ellsberg. Era economista e analista militar, na Rand Corporation. Teve acesso a um estudo ultra-secreto do governo dos EUA, sobre uma série de matérias, especialmente quanto ao conflito no Vietname. No documento já se admitia que, de um ponto de vista militar, a guerra estava perdida. No mesmo relatório, reconhecia-se que o governo dos EUA tinha mentido deliberadamente ao Congresso e ao público, ao afirmar exactamente o contrário do que o relatório dizia.

Ellsberg comprou duas fotocopiadoras, instalou-as na cave da casa e, terminado o jantar, descia as escadas e todas as noites se entregava à mesma tarefa: fotocopiar, uma a uma, as cerca de 14 mil páginas do relatório. Era um trabalho insane, porque Daniel Ellsberg tencionava distribuir cópias do documento aos maiores jornais americanos, o que implicava fotocopiar 28 mil páginas.

Comprou mais uma impressora e chegou a um ponto em que a tarefa se transformou num empreendimento familiar, com os dois filhos mais velhos a colaborarem com o pai. Daniel Ellberg enviou cópias das cerca de 14.000 páginas aos dois jornais americanos de maior prestígio, o New York Times e o Washingt Post, em 13 de Junho de 1971. O dossiêr passou a ser conhecido pelo nome de "Pentagon Papers" e a sua publicação obrigou a admistração norte-americana a rever toda sua estratégia. Em 27 de Janeiro de 1973, apenas dois anos após a divulgação dos "Pentagon Papers", foram assinados os "Acordos de Paris", que colocaram um fim à guerra,

A fonte dos "Pentagon Papers", Daniel Ellsberg entregou-se às autoridades e começo a ser julgado em 1972. Em maio de 1973 o juiz deu o caso como encerrado e arquivou permanentemente todas as acusações contra Ellsberg e Anthony Russo, que tinha colaborado na produção dos "Pentagon Papers". Ellsberg morreu em Junho de 2023, aos 92 anos.

Com esta pequena história, caro Luís Neves, queria que percebesse duas coisas: Primeiro, como caçador, você é um fracasso. Anda nesta telenovela há semanas e, em vez de mostrar caça da grossa, tem aparecido com umas pífias revelações, a falar em tanques quando tem lá uma piscina (*) Talvez seja devido à escassez de caça ou à sua falta de pontaria. Segundo, você parece-me mais talhado para um papel do Ghostbuters. Caçava na mesma, mas aí era caça da grossa, o terrível monstro Gozer, não um fantasma comum mas sim uma entidade maligna e interdimensional de nível divino - um adversário à altura de quem caça fantasmas na Polícia Judiciária, que tem cerca de 2.000 investigadores.

(*) A classificação entre tanque e piscina reside na finalidade utilitária versus de lazer, refletida na ausência ou presença de sistemas complexos de circulação e filtragem de água, geometria construtiva e no enquadramento legal e fiscal.

  As principais diferenças visíveis entre uma piscina e um tanque: 

1 - A piscina está total ou parcialmente escavada/enterrada no solo;

2 - O tanque é uma estrutura totalmente elevada. As paredes verticais estão acima do nível do solo;

 

 

 

 

 
 

  

 

 


 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Poligamia no Reino Unido: Um Homem, Três Esposas, Dezenas de Filhos e Subsídios Pagos pelos Contribuintes

 

POR REBECCA EVANS PARA O DAILY MAIL

Publicado em Setembro de 2014 / Actualizado em 20 September de 2014

 

Imigrantes com múltiplas esposas receberão benefícios mais altos no futuro, enquanto a tentativa do Governo de resolver o problema sai pela culatra.

Um homem, três esposas e benefícios financiados pelo contribuinte – Será que o sistema de segurança social da Grã-Bretanha está incentivando o que a lei proíbe?

Há uma contradição legal que está passando despercebida.

Temos relatos de lares polígamos na Grã-Bretanha – onde um homem tem múltiplas "esposas" sob arranjos religiosos não oficiais – potencialmente reivindicando milhares de euros em benefícios sociais extras. E isso está acontecendo enquanto a poligamia em si permanece ilegal sob a lei britânica (a bigamia acarreta pena de prisão).

Estima-se que haja 20.000 casamentos polígamos no Reino Unido, principalmente dentro de comunidades de minorias religiosas específicas. No entanto, não há uma contagem oficial exata porque essas uniões não são reconhecidas legalmente pelo direito civil britânico.

Veja-se o caso de Nabilah Phillips, uma ex-estudante de doutorado em engenharia em Cambridge que escolheu tornar-se uma segunda esposa, e depois uma terceira esposa se juntou à família. Seu marido, Hasan, admite que administrar três lares separados em Londres é "como equilibrar pratos".

Mas aqui está a questão incómoda que ninguém parece estar respondendo claramente: Como pode o Estado simultaneamente criminalizar a poligamia, mas permitir regras de subsídios que efetivamente a recompensam?

Sob as regras atuais, um marido com múltiplas parceiras pode reivindicar Crédito Universal ou auxílio-habitação adicional para cada "lar" – porque cada esposa é reconhecida como uma mãe solteira. Os contribuintes acabam subsidiando arranjos que a lei diz que não deveriam existir em primeiro lugar.

Isso não é um julgamento sobre a cultura ou fé de ninguém. É sobre coerência.

Se a poligamia é ilegal, o sistema de segurança social não deveria ser estruturado para financiá-la – seja diretamente ou por brechas legais. Caso contrário, o que é que exatamente estamos a dizer? "É ilegal, a menos que você chame de outra coisa"?

Como uma aluna brilhante e entusiasmada na Universidade de Cambridge, com um diploma já em mãos, Nabilah Phillips poderia esperar uma carreira de sucesso e um futuro confortável.

Após concluir o seu doutorado em engenharia, ela poderia, talvez, ocupar um cobiçado emprego bem remunerado na indústria, ou permanecer na academia, lecionando para a próxima geração.

Em vez disso, porém, Nabilah, agora com 35 anos, seguiu um caminho extremamente inesperado. Ela abandonou os estudos, renunciando à sua vaga duramente conquistada na universidade, e entrou em um casamento polígamo, tornando-se a segunda esposa do empresário londrino Hasan Phillips, de 32 anos – que desde então adquiriu uma terceira esposa.

Nabilah, seu marido e suas outras duas esposas fazem parte de um número crescente de casamentos polígamos que ocorrem na Grã-Bretanha. Eles são oficializados sob a lei islâmica (Sharia), que considera a poligamia completamente legítima, já que os homens muçulmanos podem ter até quatro esposas.

Isso está, é claro, em completa contradição com a lei do Reino Unido, sob a qual a bigamia é ilegal e pode resultar em uma pena de prisão de até sete anos.

Mas, como tais casamentos não são reconhecidos pelos tribunais ingleses – e cerca de 70 a 75 por cento dos casamentos muçulmanos não são registados – aqueles que se casam sob esse sistema não estão sujeitos a qualquer processo.

Como resultado, a prática está-se a tornar cada vez mais comum em toda a Grã-Bretanha, estimando-se que haja 20.000 casamentos polígamos.

Então, o que Nabilah tem a dizer sobre um casamento que seria anátema para a maioria das mulheres britânicas?

"Eu realmente gosto de estar em um relacionamento polígamo", insiste ela, com o rosto coberto por um véu muçulmano, conhecido como niqab, a pedido de seu marido.

"Não somos pessoas estúpidas que são forçadas a esse tipo de relacionamento", acrescenta, rindo.

"Eu estava procurando alguém que já tivesse sido casado ou que já estivesse em um casamento. Eu já fui casada antes e, depois de passar por um divórcio, você sabe o que quer em um casamento. Então eu queria alguém que já soubesse como ser um marido."


De fato, Nabilah conheceu Hasan depois de se inscrever em um serviço de "dating", na Internet, para muçulmanos — seu primeiro marido a tendo deixado apenas dias após o casamento — com a intenção específica de tentar encontrar um homem casado para poder se tornar uma "co-esposa", como são chamadas essas mulheres.

Tal é a popularidade da poligamia entre os muçulmanos britânicos que a empresa Muslim Marriage Event, sediada no leste de Londres, que uniu Nabilah e seu marido, está a receber um número crescente de pedidos para tais uniões. O proprietário Mizan Raja diz que o número de pessoas que buscam tais arranjos disparou nos últimos anos.

O aumento do casamento polígamo na Grã-Bretanha é o assunto polêmico de uma nova série de TV do Channel 4, The Men With Many Wives (Os Homens com Muitas Esposas), que lança uma nova luz sobre essa prática controversa.

Nela, Nabilah, que tem dois filhos com Hasan — que administra um negócio de roupas árabes e trabalha em uma mesquita em Brixton, no sul de Londres — explica que foi apresentada à sua primeira esposa, Sakinah, de 33 anos, funcionária do setor financeiro, antes de se casarem. "Tomamos chá e tudo mais, então ela estava de acordo com o casamento. Após o casamento, nosso relacionamento começou a se desenvolver lentamente", diz Nabilah.

Então, vários anos depois, Hasan tomou uma terceira esposa, Anub, de 41 anos, instrutora de viação nascida na Somália, com quem celebrou a lua de mel, sozinho. Suas outras esposas não foram convidadas para o casamento, embora tenham dado sua bênção.

Na maior parte do tempo, as esposas vivem vidas amplamente separadas em casas distintas em Londres, embora ocasionalmente se encontrem para passeios familiares organizados com seus diversos filhos.

"Se algum problema acontece entre as co-esposas, geralmente é culpa dele", diz Nabilah, que agora trabalha numa casa administrando um site que vende perfumes e roupas árabes. "Como se ele estivesse elogiando alguém demais — 'Por que você não é mais como ela? Ela é isso, ela é aquilo.'"

"Se ele não dissesse isso, todas nós estaríamos felizes."

Hasan passa três noites com cada esposa antes de passar para a próxima, pois interpreta que tratar cada esposa igualmente — uma exigência da poligamia no Islão — significa passar quantidades iguais de tempo com cada uma.

"Uma das condições da poligamia é que você tem que ser justo e equitativo com suas esposas", diz Hasan. "Se eu comprar duas rosas para ela, não preciso comprar duas rosas para ela também; significa em termos de tempo."

 

Ter tantas esposas, admite ele, pode ser tão precário quanto "equilibrar três pratos girando", especialmente quando estão todos juntos.

"Você tem que ter muito cuidado para não demonstrar excesso de emoção para uma delas. Então você não pode realmente relaxar e ter um gesto de carinho para cada uma de suas esposas." Os casamentos polígamos são uma interpretação rigorosa do Islão, não praticada por todos os muçulmanos (estima-se que cerca de 3% dos homens muçulmanos em todo o mundo tenham mais de uma esposa). No entanto, Hasan é um convertido, tendo mudado do Cristianismo para o Islão aos 16 anos.

Ele agora insiste que as suas esposas cubram o rosto com o véu tradicional. "Minhas esposas são algo a serem cobertas e protegidas para mim", diz ele. "Algumas pessoas colocam lençóis sobre seus carros, cobrem seus objetos de valor e os mantêm longe das pessoas que veem e desejam as coisas que eles têm."

Mas não é apenas a religião que aparentemente impulsiona essa prática. O casamenteiro Mizan diz que as mulheres que buscam um casamento polígamo geralmente o procuram porque desejam segurança e estão dispostas a compartilhar um marido para alcançá-la. As motivações dos homens são — surpresa! — geralmente devidas a "altas libidos".

"Para a maioria dos homens que querem praticar a poligamia, provavelmente 80 por cento, é uma questão movida pelo sexo", diz ele. "O pedido número um é por uma mulher com um corpo bonito, em boas proporções."

Outra co-esposa no programa é a britânica Shaheen Qureshi, de 44 anos, bonita e que se parece, pelo menos superficialmente, como qualquer outra mãe britânica casada. Ela usa roupas elegantes, joias de bijuteria e maquilhagem pesada nos olhos. Passa o tempo cuidando de seus oito filhos e mantendo sua modesta casa em Bradford, West Yorkshire.

No entanto, enquanto ela adora seu marido (eles frequentaram a mesma escola primária e se casaram há dez anos), ele também tem outra esposa.

Sua bigamia é algo que Shaheen abraçou de bom grado. "Sei que não é para todos", diz ela, falando ao Mail em sua casa geminada em Bradford esta semana. "Mas os homens são naturalmente polígamos, então eles provavelmente terão um caso só para sobreviver aos seus casamentos."

"As mulheres são muito mais leais, mas os homens têm mais olho vivo, então se eles podem ter três ou quatro esposas, eles terão."

"Não sou uma pessoa ciumenta, tenho confiança em mim mesma. Posso ser uma boa esposa. Sei como é estar sozinha, então não me importo se não vejo meu marido todos os dias."

Seu casamento foi realizado através de um nikah — uma cerimônia islâmica conduzida na presença de duas testemunhas muçulmanas. Embora esses casamentos não sejam registrados nem regulamentados pelas autoridades do Reino Unido, o "casamento" é considerado um contrato legal vinculativo pelos muçulmanos. Mas suas declarações ao Mail esta semana de que está feliz em seu casamento polígamo contrastam fortemente com o que ela mostra no programa.

No programa, há um momento de partir o coração quando ela desaba em lágrimas ao falar sobre a sensação de solidão e abandono que muitas vezes sente quando está sozinha em casa com seus oito filhos, antes de exclamar que sente que não tem escolha a não ser pedir o divórcio.

Ela continua dizendo que está cansada de viver como uma "mãe solteira". Não é surpreendente, considerando que ela tem tantos filhos.

Seis de seus filhos nasceram durante seu primeiro casamento, que ocorreu quando ela tinha apenas 16 anos. Ela foi enviada ao Paquistão pelos seus pais muçulmanos ortodoxospara se casar com um primo seu, num casamento arranjado. Durou 18 anos, mas foi em grande parte infeliz, diz ela. Shaheen se divorciou do primeiro marido há dez anos e casou-se com seu atual cônjuge polígamo — um "velho amigo" — muito em breve depois.

Ela relutou em revelar o nome de seu segundo marido quando falamos com ela esta semana, bastando dizer que ele é um empresário "respeitado".

Ingenuamente, Shaheen diz que achava que este casamento seria uma chance de encontrar o "verdadeiro amor" e que ela e a primeira esposa seriam amigas. Ela até imaginava discutindo, em tom de brincadeira, sobre de quem era a vez de lavar a louça e "saindo juntas como Carrie e suas amigas em Sex and the City". A realidade, no entanto, foi marcadamente diferente, pois a primeira esposa de seu novo marido ficou furiosa de ciúmes.

Nos dez anos desde seu casamento, as duas mulheres mal se falaram. As relações pioraram ainda mais quando Shaheen teve dois filhos de seu marido — filhas agora com oito e dois anos — e a situação recentemente chegou a um impasse.

"Ela agora deu a ele um ultimato: ou sou eu ou ela", diz Shaheen.

Não que Shaheen veja muito seu marido, de qualquer forma. Ela estima que os dois passaram não mais do que seis meses juntos ao longo de sua década de casamento.

E não são apenas as relações familiares que são difíceis. Shaheen também passa por dificuldades financeiras, pois não trabalha e não está claro que apoio financeiro, se houver, ela recebe do marido ou do Estado. Muitas dessas mulheres, que dizem não receber apoio suficiente de seus supostos maridos, escolhem reivindicar benefícios sociais em vez disso. Isso é legal? Aparentemente sim.

Mesmo que um marido polígamo tenha inúmeras esposas e uma abundância de filhos, as mulheres são tratadas como qualquer outra mãe solteira. Em outras palavras, elas têm direito a pensão alimentícia, auxílio para conseguir habitação, ajuda para pagar o imposto municipal e quaisquer outros benefícios que sua situação individual possa lhe garantir.

Sob as regras habitacionais britânicas, o marido não pode possivelmente ser registrado em todas as residências. Muito provavelmente também pode reivindicar benefícios separados.

Se as mulheres se tornarem infelizes e desejarem o divórcio, elas não têm direitos sob a lei do Reino Unido e, portanto, não teriam direito a nenhuma compensação financeira.

Mas Shaheen, inacreditavelmente, não tem nada além de simpatia por seu marido, que, segundo ela, está sob pressão intolerável da esposa número um.

"Basicamente, ele é um homem destruído. As pessoas vão pensar que ele está querendo tudo e mais um pouco. Esse não é o caso. ele está entre a espada e a parede. Ela sabe que ele me ama. É muito difícil."

Quando múltiplos casamentos se rompem, qualquer divórcio e mediação devem passar por um tribunal da Sharia — estima-se que cerca de 85 desses tribunais agora opeeam na Grã-Bretanha — que muitas vezes penalizam as mulheres.

"Conheço mulheres muçulmanas que sofreram violência doméstica brutal e depois tiveram o divórcio negado, enquanto seus maridos estão livres para contrair novos casamentos com mulheres do exterior", diz a Baronesa Cox, membro da Câmara dos Lordes sem filiação partidária e ativista pelos direitos das mulheres muçulmanas.

"A Sharia trata as mulheres como cidadãs de segunda classe, seja em direitos de herança ou divórcio. A palavra de uma mulher vale apenas metade do valor da de um homem."

Shaheen decidiu dar ao marido outra chance — mas diz que, se eles se divorciarem, ela entraria feliz em outro casamento polígamo, embora na próxima vez ela "garanta que as outras mulheres estejam felizes por eu me juntar".

Se isso parece uma perspectiva um tanto inacreditável, torna-se ainda mais surpreendente pelo fato de que será facilitada e tolerada na Grã-Bretanha.

Reportagem adicional: Kate Rawlings"

 


"Open your home and help an immigrant get registered."

 


Um católico ajoelhado numa mesquita e com as mãos em prece


Um dhimmī, "o povo da dhimma" ou "contrato" é um súdito não-muçulmano de um Estado governado de acordo com a Sharia. A dhimma é um contrato teórico estabelecido com base numa doutrina islâmica amplamente difundida que concede direitos e responsabilidades limitadas aos seguidores do judaísmo, cristianismo ("Povos do Livro") e algumas outras religiões não-islâmicas. 

A dhimma permite a estes indivíduos o direito de residência (na Casa do Islão) em troca do pagamento de um imposto. Os dhimmi têm menos direitos e responsabilidades legais e sociais que os muçulmanos, porém mais do que o resto dos não-muçulmanos. São dispensados ou excluídos de determinadas obrigações e responsabilidades atribuídas aos muçulmanos, porém noutros aspectos, como leis de propriedade e contratuais, são iguais aos muçulmanos.

Why does the government allows them to come?


 

How to destroy a country


 

Luís Neves - um caso de Polícia

 

Todos estes episódios em torno de Luís Neves fazem-me lembrar uma figura  ímpar da política brasileira, Adhemar de Barros, o homem que "apadrinhou" a expressão: "Eu roubo, mas eu faço" - o nosso "isaltino", que deu origem ao verbo "isaltinar", tão comum nas redacções dos jornais.

Adhemar de Barros foi  prefeito da cidade de São Paulo e governador do estado. A expressão "Eu roubo, mas eu faço", inicialmente  foi cunhada por um adversário político, Paulo Junqueira, que acusava Adhemar de Barros de apenas delapidar e roubar o erário público. 

Os "spin doctors" (assessores de Imprensa) de Adhemar de Barros tiveram uma ideia genial: em vez de contra-atacarem, assumiram que sim senhora, era verdade, Adhemar de Barros roubava. Mas também fazia: embora houvesse desvios de dinheiros públicos, o político realizava grandes obras públicas (como hospitais e estradas) que beneficiavam a população, ao contrário de outros que "não faziam nada".

Outra figura ímpar da política brasileira é um célebre palhaço e humorista, cujo slogan de campanha pediu meças ao de Adhemar de Barros: "Vote Tiririca, pior não fica". A originalidade foi recompensada nas urnas: em 3 de outubro de 2010, Tiririca tornou-se o quinto Deputado Federal mais votado em toda a história do Brasil, naquele ano, sendo eleito pelo estado de São Paulo com 1.348.295 (6,35%) votos. Á sua frente ficaram apenas nomes sonantes da política brasileira: Eduardo Bolsonaro, Enéas Carneiro, Nikolas Ferreira e Celso Russomanno.

Voltando ao assunto que aqui faz título, são escassos os factos que hoje nos colocam à frente - mas que vemos, ouvimos e lemos / não podemos ignorar: temos um personagem que se travestiu de outras figuras: um excepcional polícia, Director-Geral da Polícia Judiciária durante um ror de anos e um ministro-estrela, o homem certo no lugar certo, o quarto Ministro da Administração Interna do Governo de Luís Montenegro.

Para quem já esteve numa esquadra da PSP, sujeito a interrogatório não é surpresa nenhuma a existência do "polícia bom" e do "polícia mau." Há quem ache que Luís Neves foi um excepcional director-geral da Polícia Judiciária e que isso "apaga pequenos" erros, como a não entrega da declaração de interesses, dar umas cacetadas a um detido em prisão preventiva ou ter um "tanque" com uma escada de metal, própria para quem quer subir e descer de uma piscina. 

Outros pensam que a actuação de Luís Neves é inconcebível e inaceitável, indigna de um ministro, que já deveria ter-se demitido, mais que não fosse pela forma arrogante como ignora e insulta a Comunicação Social, atirando-lhes com expressões impróprias de qualquer político: 

"No meu tempo, irei esclarecer ponto por ponto todas as questões, com toda a transparência", garante Luís Neves. "O ministro da Administração Interna promete falar com os jornalistas 'em momento próprio', sem adiantar uma data específica." de acordo com a SIC Notícias.

Convém aqui lembrar que foi Pedro Passos Coelho a primeira voz a levantar-se contra a nomeação de um Director-Geral da Polícia Judiciária para um cargo de ministro. Será que PPC sabe algo que todos nós ignoramos?

Quanto ao interrogatório na esquadra, que há pouco referia, há sempre dois agentes que desempenham o papel do "polícia bom" e do "polícia mau". O primeiro chega ao pé de nós e diz: "Eh pá, é melhor confessares tudo, se não vem aí o meu colega e olha que ele não é para brincadeiras, não é um gajo calmo como eu..."

À falta de confissão, entra em acção o "polícia mau": agressivo, aos berros, a dar cacetadas na mobília com o bastão de metal extensível. "Este c....., f....da...p...." não quer falar? Eu sei como o pôr a falar. Mete-o ali na cela dos preventivos onde estão os três "blacks" que apanhámos hoje. Diz-lhes para lhe darem o tratamento especial que ele, no fim, confessa tudo e mais alguma coisa que nem sequer fez..."

E, enfim, as perguntas e comentários que ouço todas as manhãs, no cafézinho onde leio o Correio da Manhã, a TV ligada no canal do CM e tendo como companhia outros reformados como eu: que papel irá o ex-Director-Geral da Polícia Judiciária e actual Ministro da Administração Interna, desempenhar? Sim, porque entre os lamentos do custo de vida, as leituras de A Bola e os apelidos pouco recomendáveis atribuídos à maioria dos membros do governo, muita gente está a ficar mais do que  farta das histórias - sempre adiadas, de Luís Neves.

Era bom que se colocasse um fim neste ror de episódios que já parece uma das mais conhecidas opera-bufa, "O Barbeiro de Sevilha" ("Largo al factotum"), com personagens como o criado astuto, o servo inteligente, trapaceiro e engenhoso, o velho resmungão, um homem idoso e avarento, etc. Há para todos os gostos, basta que Luís Montenegro escolha um membro do elenco.

 

Arnaldo Gonçalves: “DISCORDO profundamente de ti caro amigo LUIS OSÓRIO”

 


Via Florbela Fernandes (o Observador) sobre um texto encómio do ex-director da Policia Judiciaria pelo conhecido cronista socialista no Diário de Notícias.

“DISCORDO profundamente de ti caro amigo LUIS OSÓRIO”

Caro Luís,

Há textos que lemos e com os quais discordamos. E há outros que nos obrigam a parar, porque são escritos por alguém que conhecemos, que respeitamos e cuja inteligência reconhecemos.

O teu texto sobre Luís Neves pertence à segunda categoria.

E é precisamente por isso que te digo, com amizade e sem qualquer animosidade: discordo profundamente de ti. Não porque considere que Luís Neves seja necessariamente um mau homem. Não porque queira ignorar o seu percurso profissional, a sua competência ou o trabalho que desenvolveu enquanto polícia e responsável máximo pela Polícia Judiciária. 

Discordo porque acredito que estamos a discutir uma coisa muito maior do que Luís Neves e, ao contrário de ti, não tenho Luís Neves como um exemplo inquestionável, nem partilho da premissa de que a sua gestão na Polícia Judiciária tenha sido perfeita. Mas mesmo que a sua competência fosse irrepreensível, estamos a discutir algo muito maior do que um homem: estamos a discutir as fundações da nossa democracia.

Estamos a discutir a República. Há uma ideia que deveria ser absolutamente elementar numa democracia liberal e republicana: ninguém está acima das regras. Muito menos quem exerce funções públicas.

A República não nos pede homens perfeitos. Não nos pede santos, heróis imaculados ou pessoas sem contradições. Pede-nos servidores públicos sujeitos às mesmas leis, aos mesmos deveres e aos mesmos padrões de responsabilidade que se aplicam aos restantes cidadãos. É por isso que a competência não pode ser uma espécie de moeda com que se compram descontos éticos.

Um excelente polícia não deixa de estar obrigado à lei porque é um excelente polícia. Um excelente ministro não deixa de estar obrigado às regras porque foi um excelente ministro. Um excelente presidente de câmara não fica dispensado dos deveres de transparência porque conseguiu transformar a sua cidade. E um excelente dirigente público não pode beneficiar de uma tolerância moral que não concederíamos a um cidadão comum.

Quando escreves que preferes este “bandido bom” a um “choninhas”, estás, talvez involuntariamente, a aceitar uma dicotomia que considero perigosa. Não temos de escolher entre o bandido bom e o choninhas. Podemos — e devemos — exigir competência com integridade. 

Aliás, eu diria mais: quanto maior for o poder, maior deve ser a exigência ética. Porque o poder público não é propriedade de quem temporariamente o exerce. É um empréstimo que a República faz a algumas pessoas. E quem recebe esse empréstimo recebe também uma responsabilidade acrescida.

A Filosofia Política debate há séculos uma questão essencial: como devemos organizar a vida coletiva e que virtudes devemos exigir a quem exerce o poder. Desde Aristóteles à tradição republicana, passando por Kant e pela construção moderna do Estado de Direito, existe uma ideia que atravessa séculos de pensamento político: a política não pode ser separada da ética.

A tentação de justificar determinados comportamentos porque “o homem é bom”, porque “fez muito pelo país”, porque “é competente” ou porque “os resultados estão à vista” é precisamente uma das tentações contra as quais as instituições republicanas foram construídas.

É muito fácil dizer: “Sim, fez aquilo, mas…” E depois acrescentar tudo aquilo que admiramos na pessoa: “Mas é um excelente profissional.”; “Mas combateu o crime.”; “Mas foi corajoso.”; “Mas fez muito pela Polícia Judiciária.”

Tudo isso pode ser verdade. Mas não responde à questão ética.

A pergunta não é se Luís Neves fez coisas boas, aliás como era a sua obrigação. A pergunta é se, quando existem dúvidas ou factos que podem configurar incumprimentos legais e éticos, devemos ser mais tolerantes porque ele fez coisas boas? A minha resposta é não.

Porque, se começarmos a medir a exigência ética pelo saldo positivo da pessoa, que mais não é do que a sua obrigação profissional, deixamos de ter princípios. Passamos a ter contabilidade moral. E isso é muito perigoso.

Hoje abrimos uma exceção para o homem competente. Amanhã, para o político eficaz, o que dizer de Sócrates, foi ou não eficaz na modernização do País? Depois para o amigo. Depois para aquele que “é dos nossos”. E quando damos por isso, a regra deixou de ser uma regra. Passou a ser uma recomendação.

Voltemos aos factos.

É aqui que também discordo da forma como esta discussão tem sido conduzida. Não estamos perante uma história sobre alguém que simplesmente se esqueceu de entregar um papel. É o valor republicano desse papel.

“Roubado”, com o devido respeito, ao Arnaldo Gonçalves

PS: Todos estes episódios em torno de Luís Neves fazem-me lembrar uma figura  ímpar da política brasileira, Adhemar de Barros, o homem que "apadrinhou" a expressão: "Eu roubo, mas eu faço" - o nosso "isaltino", que deu origem ao verbo "isaltinar", tão comum nas redacções dos jornais.

Adhemar de Barros foi  prefeito da cidade de São Paulo e governador do estado. A expressão "Eu roubo, mas eu faço", inicialmente  foi cunhada por um adversário político, Paulo Junqueira, que acusava Adhemar de Barros de apenas delapidar e roubar o erário público. 

Os "spin doctors" (assessores de Imprensa) de Adhemar de Barros tiveram uma ideia genial: em vez de contra-atacarem, assumiram que sim senhora, era verdade, Adhemar de Barros roubava. Mas também fazia: embora houvesse desvios de dinheiros públicos, o político realizava grandes obras públicas (como hospitais e estradas) que beneficiavam a população, ao contrário de outros que "não faziam nada".

Outra figura ímpar da política brasileira é um célebre palhaço e humorista, cujo slogan de campanha pediu meças ao de Adhemar de Barros: "Vote Tiririca, pior não fica". A originalidade foi recompensada nas urnas: em 3 de outubro de 2010, Tiririca tornou-se o quinto Deputado Federal mais votado em toda a história do Brasil, naquele ano, sendo eleito pelo estado de São Paulo com 1.348.295 (6,35%) votos. Á sua frente ficaram apenas nomes sonantes da política brasileira: Eduardo Bolsonaro, Enéas Carneiro, Nikolas Ferreira e Celso Russomanno.

Nos (escassos) factos que hoje nos colocam à frente - mas que vemos, ouvimos e lemos / não podemos ignorar - temos uma versão de outras figuras, populares para quem já esteve numa esquadra da PSP, sujeito a interrogatório: o "polícia bom" e o "polícia mau." Há quem ache que Luís Neves foi um excepcional director-geral da Polícia Judiciária e que isso "apaga pequenos" erros, como a não entrega da declaração de interesses, dar umas cacetadas a um detido em prisão preventiva ou ter um "tanque" com uma escada de metal, própria para quem quer subir e descer de uma piscina. 

Outros pensam que a actuação de Luís Neves é inconcebível e inaceitável, indigna de um ministro, que já deveria ter-se demitido, mais que não fosse pela forma arrogante como ignora e insulta a Comunicação Social, atirando-lhes com expressões impróprias de qualquer político: "

"No meu tempo, irei esclarecer ponto por ponto todas as questões, com toda a transparência", garante Luís Neves. "O ministro da Administração Interna promete falar com os jornalistas 'em momento próprio', sem adiantar uma data específica." de acordo com a SIC Notícias.

Convém aqui lembrar que foi Pedro Passos Coelho a primeira voz a levantar-se contra a nomeação de um Director-Geral da Polícia Judiciária para um cargo de ministro. Será que PPC sabe algo que todos nós ignoramos?

Quanto ao interrogatório na esquadra, que há pouco referia, há sempre dois agentes que desempenham o papel do "polícia bom" e do "polícia mau". O primeiro chega ao pé de nós e diz: "Eh pá, é melhor confessares tudo, se não vem aí o meu colega e olha que ele não é para brincadeiras, não é um gajo calmo como eu..."

À falta de confissão, entra em acção o "polícia mau": agressivo, aos berros, a dar cacetadas na mobília com o bastão de metal extensível. "Este c....., f....da...p...." não quer falar? Eu sei como o pôr a falar. Mete-o ali na cela dos preventivos onde estão os três "blacks" que apanhámos hoje. Diz-lhes para lhe darem o tratamento especial que ele, no fim, confessa tudo e mais alguma coisa que nem sequer fez..."

E, enfim, as perguntas que ouço todas as manhãs, no cafézinho onde leio o Correio da Manhã, a TV ligada no canal do CM: que papel irá o ex-Director-Geral da Polícia Judiciária e actual Ministro da Administração Interna, desempenhar? Sim, porque entre os lamentos do custo de vida, as leituras de A Bola e os apelidos pouco recomendáveis atribuídos à maioria dos membros do governo, muita gente está a ficar mais do que  farta das histórias - sempre adiadas, de Luís Neves.

Era bom que se colocasse colocar um fim neste ror de episódios que já parece uma das mais conhecidas opera-bufa, "O Barbeiro de Sevilha" ("Largo al factotum"), com personagens como o criado astuto, o servo inteligente, trapaceiro e engenhoso, o velho resmungão, um homem idoso e avarento, etc. Há para todos os gostos.

 

 


 

 

 


 

 



 

 

Luís Neves - mais do que um simple caso de polícia

  Um a das muito curiosas experiências que tive, no jornalismo, foi quando um determinado indivíduo - alguém que conhecia, através de amizad...