"(…) Quando as centenas de embarcações apareceram, as suas tripulações deram uma boa gargalhada: uma frota europeia, com todas as luzes acesas, tinha-se alinhado num vasto semi-círculo à entrada da baía. Parecia que estavam a aguardar uma revista. Os navios dispararam uma salva de cartuchos de festim, um após o outro. Depois, uma voz trovejou através de megafones, primeiro em francês, depois em inglês: 'Recuem! Recuem! A França não vos pode acolher! A Europa não vos pode acolher!'
A
armada do Terceiro Mundo respondeu com um grito colossal e uníssono.
Não era um grito de guerra. Era a vasta e primitiva voz da esperança,
das boas-vindas, uma espécie de berro alegre e triunfante, como a
descoberta de um brinquedo por uma criança. E os navios continuaram a
avançar."
"As centenas de embarcações começaram a entrar no
porto, uma após a outra, numa longa e silenciosa procissão. Não houve toques de trombetas, nem bandeiras a acenar. Apenas um avanço lento e inexorável. Da costa, os observadores — os poucos que restaram — assistiam atónitos, como que hipnotizados. Não havia gritos, nem resistência. Apenas o suave ondular das vagas contra os cascos e o
arrastar de inúmeros pés à medida que as primeiras ondas de humanidade
começavam a derramar-se nas praias."
(Le Champ des Saints - Jean Raspail)
Sem comentários:
Enviar um comentário