sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A grande invasão da Europa

 


 "(…) Quando as centenas de embarcações apareceram, as suas tripulações deram uma boa gargalhada: uma frota europeia, com todas as luzes acesas, tinha-se alinhado num vasto semi-círculo à entrada da baía. Parecia que estavam a aguardar uma revista. Os navios dispararam uma salva de cartuchos de festim, um após o outro. Depois, uma voz trovejou através de megafones, primeiro em francês, depois em inglês: 'Recuem! Recuem! A França não vos pode acolher! A Europa não vos pode acolher!' 

A armada do Terceiro Mundo respondeu com um grito colossal e uníssono. Não era um grito de guerra. Era a vasta e primitiva voz da esperança, das boas-vindas, uma espécie de berro alegre e triunfante, como a descoberta de um brinquedo por uma criança. E os navios continuaram a avançar."

"As centenas de embarcações começaram a entrar no porto, uma após a outra, numa longa e silenciosa procissão. Não houve toques de trombetas, nem bandeiras a acenar. Apenas um avanço lento e inexorável. Da costa, os observadores — os poucos que restaram — assistiam atónitos, como que hipnotizados. Não havia gritos, nem resistência. Apenas o suave ondular das vagas contra os cascos e o arrastar de inúmeros pés à medida que as primeiras ondas de humanidade começavam a derramar-se nas praias."

(Le Champ des Saints - Jean Raspail) 

 

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