O presidente da secção de Macau do Partido Social
Democrata, Vitório Cardoso, foi uma das cerca de 1.200 pessoas que
participaram na manifestação promovida pelo partido Chega, liderado por
André Ventura, com o tema “Portugal não é racista”. O evento decorreu no
domingo à tarde, em Lisboa, e Vitório Cardoso fez-se acompanhar por uma
bandeira do seu partido, que a nível nacional não se associou ao
evento.
O HM entrou ontem em contacto com Vitório Cardoso para perceber as
razões que o levaram a participar no evento e se poderia haver
aproximação da secção de Macau às posições do Chega. No entanto, o
presidente da secção do PSD recusou responder: “São assuntos internos
político-partidário portugueses e que só dizem respeito a Portugal”,
justificou.
Contido, em declarações ao Jornal de Notícias, Vitório explicou a
presença com o facto de considerar que os portugueses contribuíram para
uma mistura perfeita de raças ao longo da História. “Estou aqui para
lembrar a ‘miscigenação perfeita’ produzida no Oriente pelos
portugueses”, sustentou o social-democrata.
Também no seu perfil de Facebook, Cardoso afirmou não admitir que se
semeie racismo “numa Nação que com o mundo miscigenou” nem permitir que
se destrua “a memória histórica e grandiosa dos Descobrimentos nem
vandalismos contra o Infante Dom Henrique, Padre António Vieira ou
outros”.
Ambiente de silêncio
Antes do evento, André Ventura afirmou que a manifestação era “de
tudo menos de supremacia branca, de tudo menos de nazis”. As declarações
não afastaram membros da extrema-direita, como Mário Machado, ligado ao
movimento skinhead.
Face a este cenário, o HM contactou José Cesário, deputado do PSD
eleito pelo círculo Fora da Europa, sobre a participação de Vitório
Cardoso na manifestação. Também Cesário optou pelo silêncio:
“Considerando as funções que tenho [como deputado] nem sequer me devo
envolver nestas matérias. Como deputado não me pronuncio sobre isso.
São questões de natureza partidária”, explicou.
Miguel Bailote, militante do PSD e ex-líder da secção de Macau,
adoptou uma postura semelhante. “Sou militante, mas como fui o anterior
presidente da secção não entendo que seja oportuno fazer comentários
sobre uma pessoa que me substituiu. Não seria cordial comentar”,
afirmou.
Quem também recusou comentar o assunto foi Lola do Rosário, que
integrou a lista de José Cesário nas últimas legislativas. “Não sei de
qualquer participação do Dr. Vitório nesse evento e por isso não tenho
nada a declarar”, respondeu.