quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Muçulmanos e cães: uma escolha fácil

 

A ativista palestina Nerdeen Kiswani fez recentemente um post com um discurso sobre o crescente ambiente islâmico em Nova York e afirmou: "Finalmente, NYC está chegando ao Islão. Os cães definitivamente têm um lugar na sociedade, só não como animais de estimação dentro de casa. Como sempre dissemos, eles são impuros. Em resposta a essa postagem, o congressista republicano da Flórida, Randy Fine, escreveu: "Escolher entre cães e muçulmanos não é uma tarefa difícil."
Após a polémica provocada por estas declarações, Nerdeen Kiswani afirmou que as suas afirmações eram uma "sátira" e uma "brincadeira" relacionada com o problema dos dejectos dos cães nas ruas, e não uma proposta política séria, afirmando não se importar se as pessoas têm ou não cães, mas sim com o facto de os donos não limparem os dejectos que eles deixam nas ruas.
A polémica rapidamente adquiriu contornos nacionais, com acusações violentas contra o congressista republicano, acusado de racista e islamofóbico. Mas uma rápida busca na Internet descobre inúmeras situações em que muçulmanos rejeitam a existência de cães, considerados "impuros" como animais de estimação. 

Na cidade de Manchester foram distribuídos, em 2016, panfletos numa série de habitações, apelando à proibição de cães em espaços públicos. São inúmeros os artigos (e notícias de sanções) relacionadas com motoristas de táxi muçulmanos que recusam transportar cães-guia de cegos, no Reino Unido - acabando por ser punidos por isso. Mesmo entre as principais escolas de interpretação do Corão, as posições variam. De uma forma geral, considera-se que os muçulmanos não podem ter cães como animais de estimação, mas apenas admitem a sua utilização como cães de guarda. 

Devido a vários hadith (ditos do Profeta), os muçulmanos geralmente não têm cães como animais de estimação, mas sim como animais de trabalho. Por exemplo, o Profeta disse: 'Quem mantiver um cão para outro fim que não seja caça, pastoreio ou agricultura, perderá uma grande recompensa todos os dias.' (Bukhari)

De acordo com um artigo sobre o tema do Imam John Yahya Ederer, também existe alguma diferença de opinião sobre este assunto. 'A opinião Maliki é que o hadith [sobre cães de trabalho] não indica proibição, mas sim que é makrooh (detestável). Há também uma opinião rara de um punhado de Malikis de que todas as proibições sobre possuir um cão foram ab-rogadas e, portanto, ter um cão como animal de estimação é permitido.'

Embora uma pequena minoria de muçulmanos possa ter cães de estimação, em todas as terras de maioria muçulmana é muito incomum que as pessoas tenham cães dentro de suas casas. É muito mais provável que tenham gatos, coelhos, pássaros ou outros animais de estimação."

A polémica em torno desta questão surge agora com outro impacto devido à proeminência que o Islamismo adquiriu na cidade de Nova Iorque, depois da eleição do socialista e muçulmano Zohran Mamdani. A polémica sobre banir cães enquanto animais de estimação- mal-disfarçada como sendo uma sátira, pela autora, Nerdeen Kiswani - é um pormenor que se junta a outro, bastante mais importante. Com a eleição de Mamdani, as mesquitas em Nova Iorque deixaram de respeitar a legislação sobre ruído, começando a transmitir a sua primeira chamada diária para a oração (às cinco da manhã...) através de aparelhagens sonoras de grande potência. 

Estes dois aspectos caracterizam o que é a segunda fase de conquista do poder por parte dos muçulmanos, numa sociedade em que são uma minoria. Na primeira fase, a atitude é contemporizadora, com as comunidades muçulmanas a salientarem o seu respeito pelas leis e tradições dos países ocidentais para onde imigram. Nessa fase, adoptam o discurso da "taqiyya", um conceito islâmico que permite a um muçulmano ocultar a sua fé ou identidade religiosa, e em casos extremos dissimular a sua crença, obrigações e tradições, para se proteger de perseguição, perigo de vida ou danos graves. 

Mas uma das características desta primeira fase é a constituição de tribunais islâmicos, que funcionam de forma quase secreta, aplicando a Sharia, a lei islâmica, que contém princípios e determinações que violam a própria constituição de países ocidentais - sendo Portugal um caso concreto desse tipo de violações, como o próprio xeque Munir explicou, numa entrevista ao Público. Na segunda fase - a fase em que Nova Iorque está - a comunidade muçulmana, tendo como aliados os socialistas, comunistas e liberais, lidera uma conquista do poder municipal de grandes cidades - Londres, por exemplo, tem um presidente de câmara muçulmano, entre várias dezenas de outras cidades.

A razão para esta conquista política de grandes cidades tem a ver, essencialmente, com o facto de os muçulmanos votarem de forma uníssona nos seus candidatos, garantindo a vitória sobre uma multiplicidade de candidatos das forças políticas tradicionais. A mesma táctica é empregue na eleição de representantes no Congresso norte-americano. A concentração geográfica de comunidades muçulmanas permite, no sistema eleitoral norte-americano, que sejam eleitos muçulmanos, em círculos eleitorais onde não são a maioria. 

No estado de Minnesota, Ilhan Omar, natural da Somália é a representante do 5º Distrito Congressional daquele estado, servindo no Congresso desde 2019 - uma eleição possibilitada pelo facto de a maior população somali-americana dos Estados Unidos se concentrar num distrito que inclui Minneapolis e os subúrbios circunvizinhos. Outro exemplo deste domínio demográfico que se traduz em ganhos eleitorais é a cidade de Dearborn, no Michigan, com mais de 55% da sua população muçulmana, sendo a primeira cidade de maioria árabe nos EUA e, naturalmente, tendo um presidente de câmara muçulmano, Abdullah Hammoud.

A polémica lançada pela ativista palestina Nerdeen Kiswani, sobre a necessidade de se banirem cães como animais de estimação, em Nova Iorque - agora que o Islão chegou àquela cidade - não foi uma sátira nem uma brincadeira. Basta ver o vídeo que foi publicado na rede social X (cujo link está no topo deste texto). É apenas mais um sinal de que o islamismo é, na sua essência, uma estratégia política de conquista do poder, a fim de implantar uma teocracia baseada no Corão e na Sharia. É assim que funcionam os 57 países que se auto-denominam como sendo países muçulmanos. 

Um último pormenor que é revelador dessa estratégia: quando um não-muçulmano adopta esta religião, o termo utilizado pelos muçulmanos não é "conversão". Diz-se que o referido não-muçulmano se "reverteu" para a única e verdadeira religião que existe - isto porque um dos pontos fundamentais do islamismo é a concepção de que todos os seres humanos nascem muçulmanos, sendo "desviados" da verdadeira fé pela educação que recebem. 

Acredita-se no Islão que todo o ser humano nasce num estado de pureza e submissão a Deus, conhecido como fitrah. Quando alguém adota o Islão na idade adulta, os muçulmanos preferem dizer que essa pessoa está "revertendo" à sua natureza original e fé primordial, em vez de se converter a uma nova religião. Há inúmeros exemplos da obrigação a que estão sujeitos os cidadãos de determinados países, sendo as Maldivas um dos mais absurdos: As Maldivas são uma nação 100% muçulmana sunita, onde o Islão é a religião oficial e a sua prática é obrigatória para os cidadãos, sujeitos a pena de morte caso abandonem a religião. Qualquer outra religião é proibida. 

Outra característica de salientar, para terminar, é o facto de o islamismo ser a única religião em todo o mundo em que o seu abandono é punível com a pena de morte, de acordo com a Sharia, a lei islâmica. A apostasia — deixar o Islão — é considerada um crime ("hudud") contra Alá, punível com a pena de morte e historicamente apoiada pelas principais escolas sunitas e xiitas de interpretação do Corão e da Sharia. 

No Brunei, por exemplo, em 2014, foi introduzida a Sharia (lei islâmica) como principal fonte de legislação, tornando aquele país o primeiro na Ásia a governar com este sistema, incluindo punições como a lapidação para casos de adultério e homossexualidade. 

A verdade é que as afirmações da activista palestiniana Nerdeen Kiswani sobre o facto de os cães poderem "ter um lugar na sociedade, só não como animais de estimação dentro de casa (...) porque são impuros", marca o início da segunda fase da conquista islâmica de Nova Iorque. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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"Muslims and dogs: an easy choice"

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