SANDNES, NORUEGA — Quando chegou à Europa, vindo da África, o muçulmano Abdu Osman Kelifa ficou chocado ao ver mulheres de roupas curtas, tomando bebidas alcoólicas e beijando em público. Conta que, em seu país, só as prostitutas fazem isso e, nos filmes nacionais, os casais “só se abraçam, mas jamais se beijam”.
Confuso, ele se ofereceu para fazer parte, como voluntário, de um programa pioneiro e, para muitos, controverso, que quer prevenir a violência, inclusive sexual, ajudando os homens saídos de sociedades altamente segregadoras — nas quais as mulheres não podem mostrar o corpo, nem afeição em público —, a se adaptarem às comunidades europeias, mais abertas.
Com medo de estigmatizar os imigrantes como estupradores em potencial e corroborar a manipulação dos políticos contrários à abertura multicultural, a maioria dos países europeus evita abordar a questão de que os homens originários de sociedades mais conservadoras podem ter ideias erradas ao se mudarem para lugares onde a impressão é a de que vale tudo. Porém, com a chegada prevista de um milhão de estrangeiros na Europa durante o ano de 2015, é cada vez maior o número de legisladores e ativistas a favor do ensino das normas sexuais e códigos sociais europeus.
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O primeiro programa para ensinar os imigrantes sobre as normas locais e como evitar interpretar mal os sinais sociais foi implantado em Andrew Higgins e The New York Times , centro da indústria petroleira e verdadeiro ímã para estrangeiros, depois de uma série de estupros ocorridos entre 2009 e 2011.
Henry Ove Berg, que era delegado durante o auge das ocorrências na cidade, é a favor da medida.
— Em certas partes do mundo, os caras nunca viram uma menina de minissaia: só de burca. Aí, quando chegam aqui, a cabeça deles funde. Há ligação, sim, embora não muito clara, entre os casos de estupro e a comunidade de imigrantes da cidade — revela o delegado.
De acordo com o canal estatal de TV, o NRK, que examinou os documentos processuais, apenas três dos 20 homens condenados eram noruegueses — todos os outros eram estrangeiros. A alegação de que os refugiados e imigrantes em geral estão propensos a cometer estupros se tornou a objeção mais forte nas campanhas anti-imigração por todo o continente, com cada caso de violência sexual cometido pelos recém-chegados apresentado como prova de um problema “importado”.
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Andrew Higgins e The New York Times
O Globo/Mundo

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