quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Die Gedangen Sind Frei / Os pensamentos são Livres - in memoriam of Sophie Scholl

 


Sophie Scholl was a German student and anti-Nazi activist who became one of the most prominent members of the White Rose resistance group. She and her fellow members were notable for their courage in opposing Adolf Hitler’s regime during a time of immense danger. Here’s an overview of her life and legacy:
Early Life

    Full Name: Sophia Magdalena Scholl
    Birth: May 9, 1921, in Forchtenberg, Germany.

    Sophie was raised in a close-knit, liberal Christian family. Her father, Robert Scholl, was a mayor and openly critical of the Nazi regime.
    Sophie initially joined Nazi youth organizations, like many German children of the time, but she became increasingly disillusioned as she learned about the atrocities committed by the regime.

The White Rose Resistance

    The White Rose was a non-violent resistance group founded in 1942 by Sophie, her brother Hans Scholl, and several of their friends, including Christoph Probst, Alexander Schmorell, and Willi Graf.
    The group, based in Munich, was composed mostly of students from the University of Munich and their professor, Kurt Huber.
    They wrote, printed, and distributed anti-Nazi leaflets calling for passive resistance to the dictatorship and exposing the regime’s crimes, including the persecution of Jews and the horrors of World War II.

The Final Act

    On February 18, 1943, Sophie and Hans were caught distributing leaflets at the University of Munich. A janitor reported them to the Gestapo.
    They were arrested, interrogated, and subjected to a sham trial led by the notorious Nazi judge Roland Freisler.
    Sophie, Hans, and Christoph Probst were sentenced to death for treason. Despite intense pressure, Sophie remained defiant, famously declaring during her trial:
    "What we said and wrote, many people are thinking. They just don’t dare to say it out loud."

Execution

    Sophie, Hans, and Christoph were executed by guillotine on February 22, 1943, at the age of just 21. Her last recorded words were:
    "How can we expect righteousness to prevail when there is hardly anyone willing to give themselves up individually to a righteous cause? Such a fine, sunny day, and I have to go. But what does my death matter, if through us, thousands are awakened and stirred to action?"

Legacy

    The White Rose became a symbol of moral courage and resistance against tyranny.
    Today, Sophie Scholl is remembered as a hero in Germany and worldwide. Schools, streets, and organizations are named in her honor.
    The group’s leaflets were smuggled out of Germany and later distributed by the Allies, ensuring their words reached a broader audience.
    Sophie’s courage has inspired books, movies, and countless tributes, including the acclaimed 2005 film "Sophie Scholl: The Final Days."

Sophie Scholl’s story is a powerful reminder of the impact that even small acts of resistance can have in the face of oppression.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Nova droga descoberta em Portugal está à venda na rua do Bemformoso

 

 

O Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária identificou, pela primeira vez em Portugal, uma nova substância psicoativa – ARECOLINA – detetada em tabaco de mascar, misturada com nicotina e mentol, refere uma nota da PJ. 

Nos termos regulamentados, a deteção laboratorial foi já transmitida aos organismos internacionais competentes, através do ponto focal nacional. A ARECOLINA é um alcaloide encontrado na noz de areca, fruto da palmeira areca. Tradicionalmente, em algumas culturas asiáticas, este fruto é mascado para obtenção de efeitos estimulantes.

A PJ não precisava de ter tanto trabalho. Bastava ir à rua do Bemformoso, onde dezenas de vendedores, com umas pequenas mesas de dobrar, vendem "paan", uma espécie de tabaco de mascar, composto basicamente por ARECOLINA, um alcalóide da noz de aroca, tabaco e mentol, enrolados em folhas de bétel. 

O rolo é introduzido na boca, entre a gengiva e o interior da bochecha. O conjunto tem um efeito psicotrópico, provocando uma sensação de leveza, bem-estar e estimulação. Os consumidores de "paan" são detectados com facilidade: o consumo regular de "paan" faz com que os dentes e gengivas fiquem com uma coloração vermelha. O cancro na boca é uma das consequências mais comuns nos consumidores de "paan".

Nova (?) droga em Portugal

 


 
Nova (?) droga em Portugal

O Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária identificou, pela primeira vez em Portugal, uma nova substância psicoativa – ARECOLINA – detetada em tabaco de mascar, misturada com nicotina e mentol, refere uma nota da PJ.

A substancia foi detectada em tabaco aprendido, na sequência do desmantelamento, pela equipa de investigação de crimes e contraordenações do destacamento da Ação Fiscal da GNR, de uma unidade clandestina de produção e embalamento em larga escala de tabaco de mascar, nos concelhos de Lisboa e de Sintra.

Nos termos regulamentados, a deteção laboratorial foi já transmitida aos organismos internacionais competentes, através do ponto focal nacional. A ARECOLINA é um alcaloide encontrado na noz de areca, fruto da palmeira areca. Tradicionalmente, em algumas culturas asiáticas, este fruto é mascado para obtenção de efeitos estimulantes.

A PJ não precisava de ter tanto trabalho. Bastava ir à rua do Bemformoso, onde dezenas de vendedores, com umas pequenas mesas de dobrar, vendem "paan", uma espécie de tabaco de mascar, composto basicamente por ARECOLINA, um alcalóide da noz de aroca, tabaco e mentol, enrolados em folhas de bétel. O rolo é introduzido na boca, entre a gengiva e o interior da bochecha. O conjunto tem um efeito psicotrópico, provocando uma sensação de leveza, bem-estar e estimulante. Os consumidores de "paan" são detectados com facilidade: o consumo regular de "paan" faz com que os dentes e gengivas fiquem com uma coloração vermelha. O cancro na boca é uma das consequências mais comuns nos consumidores de "paan".

--------------------

Os mastigadores de “paan”

Da intensa experiência que foi viajar nos estados do Nordeste da Índia, uma coisa houve que ficou marcada vivamente na memória dos sentidos: o paan… o cheiro, a côr, os gestos, o som do cuspir e o rasto vermelho deixado pelo chão.

Mas o que é o paan!?! Basicamente paan é noz de areca (areca nut), cujo aspecto se assemelha à noz-moscada, cortada em pequenos pedaços, e envolvida em folha de bétel, uma trepadeira de folha verde que tem efeitos estimulantes. A esta mistura junta-se muitas vezes tabaco (de mascar) e cal (hidróxido de cálcio)… sim, a mesma cal como a que se usa para revestir paredes.

A noz de areca, assemelha-se muito à noz-moscada, tanto no tamanho como no aspecto do fruto, mas em vez de nascer de uma árvore é o fruto de uma palmeira, cujas nozes crescem em cachos no topo de um fino e alto tronco.

A folha de bétel é cuidadosamente dobrada em forma de um pequeno rectângulo, conservado a noz de areca, e colocada na boca, sendo ligeiramente mastigada de forma a libertar lentamente os sucos, que aos poucos vão dando uma coloração avermelhada à saliva, que se estende aos cantos da boca e aos lábios. Ao fim de alguns anos de utilização, resulta não só os dentes deteriorados e manchados de vermelho, como também uma certa adição, devido às propriedade da folha de bétel. Misturada com tabaco, aumentam ainda mais os efeitos cancerígenos da noz de areca.

O paan produz uma forte salivação, o que faz com que os seus consumidores tenham necessidade frequente de cuspir, o que é muitas das vezes feito de forma aparatosa, num jacto de saliva avermelhada, que deixa um rasto pelas ruas, passeios e até paredes!

Sendo bastante popular na Índia, o hábito de consumir paan encontra-se espalhado um pouco por todos os países asiáticos, como o India, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka e Birmânia, sendo este ultimo o país onde a presença de paan é uma constante, desde mulheres a crianças.

Mas a passagem por alguns dos estados do Nordeste da Índia, Assam, Nagaland e Meghalaya deixou uma marca mais forte deste fenómeno. Aqui, talvez mais do que em qualquer outra das regiões da Índia a noz de areca é “rainha”, sendo mesmo mastigada sem a folha de bétel ou outros ingredientes.

Sendo predominantemente um hábito masculino, comum entre a população mais pobre, é uma imagem de marca entre motoristas de autocarros e condutores de tuk-tuks; mas no Nordeste da Índia o paan é também bastante popular entre as mulheres, sendo o seu consumo transversal às várias camadas sociais, não sendo de estranhar encontrar um pastor na ilha de Majuli a cuspir o paan ou a recepcionista de um hotel em Mokokchung com os cantos da boca marcados pelo vermelho da noz de areca.

O consumo de tabaco de mascar é também bastante popular, sendo misturado com cal, de forma a humedecer as folhas formando uma pasta que se coloca junto à gengiva. A preparação do tabaco, esfregando a mistura na palma da mão com os dedos, que depois é ligeiramente batida para ficar espalmada, são um dos gestos que se vêm constantemente… nas cidades ou nas vilas, nas ruas ou nas lojas, em autocarros e comboios…

Apesar do acto de mascar tabaco ser desagradável, pois produz também a necessidade frequente de cuspir, o paan, com o seu cheiro adocicado criou ao fim de três semanas de viagem pelo Nordeste da Índia, uma certa repugnância pela combinação do som com o jacto de saliva vermelha libertado pelos mastigadores de paan, que não se esforçam por ser discretos ou delicados, fazendo do acto de cuspir uma arte, onde por certo a trajetória e distância do rasto vermelho deixado no chão é motivo de orgulho.

E um pouco por todo o lado, vêm-se sempre marcas brancas deixadas pela cal que colada aos dedos, é que depois são esfregando em ombreiras das portas, junto à lojas de paan, ou nos bancos dos autocarros e comboios…

O cheiro deixou também uma forte marca na minha memória, com quartos de hotel a cheirarem a paan, e com viagens longas de autocarro ou the sumo, a serem feitas na companhia de activos mastigadores de paan, cujo cheiro adocicado impregna o espaço, e a cruzam regularmente o meu campo de visão para cuspirem pela janela.

Uma negativa mas forte memória que criou em mim uma repugnância ao paan, ao qual os meus sentidos não conseguem ficar indiferentes.


Refugiado afegão faz dois mortos na Alemanha, com uma faca, incluindo uma criança

 


Um ataque com faca na Alemanha fez duas vítimas mortais, esta quarta-feira.

As vítimas são um adulto, de 41 anos, e uma criança, de dois anos. Outras duas pessoas ficaram feridas com gravidade e foram transferidas para o hospital.

O incidente aconteceu num parque na cidade de Aschaffenburg, na Baviera, avança o Bild.

O suspeito já foi detido, tendo as autoridades garantido que já não há perigo para o público. O detido é um homem de nacionalidade afegã, de 28 anos. Trata-se de Enamullah O., nascido em 1997, e que vivia num alojamento de asilo na região, refere o Spiegel.

O Schöntal Park está a ser cercado pelas autoridades para que se investiguem pormenores do sucedido. O motivo do ataque ainda não é sabido.


Morreu o tenente-general Vasco Rocha Vieira, último governador de Macau

 

Morreu aos 85 anos o tenente-general Vasco Rocha Vieira, ex-ministro da República para os Açores e o último governador de Macau, quando o território estava sob administração portuguesa. A notícia foi avançada esta quarta-feira pelo Correio da Manhã e confirmada pelo PÚBLICO por fonte oficial do Exército Português.

Vasco Rocha Vieira nasceu em Lagoa, distrito de Faro, em 1939. Foi chefe do Estado-maior Territorial Independente de Macau entre 1973 e 1974, ano em que volta a Portugal por causa do 25 de Abril. Tornou-se depois o chefe do Estado-Maior do Exército entre 1976 e 1978. Foi membro do Conselho da Revolução na altura em que Otelo Saraiva de Carvalho, um dos estrategas da Revolução dos Cravos, foi colocado na reserva compulsiva.

Mais tarde, Rocha Vieira assumiu ainda o cargo de ministro da República nos Açores entre 1986 e 1991, antes de voltar a Macau entre 1991 e 1999 para ser governador do território — o último antes de passar a estar sob a administração da China. Cerca de dois anos depois, o tenente-general passou à reserva. Entre 2006 e 2016, foi chanceler do Conselho das Antigas Ordens Militares por indicação de Ramalho Eanes, de quem era muito próximo. Nesse ano, publicou o livro O 25 de Novembro e a Democratização Portuguesa em co-autoria com o sociólogo António Barreto.

Mas o seu percurso também foi marcado por polémicas. Financiou, com dinheiro macaense, a Fundação Jorge Álvares, cuja criação foi proposta pelo próprio tenente-general ao então Presidente português, Jorge Sampaio, a dois meses de abandonar o cargo de governador — um caso que terá provocado atritos entre ambos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já manifestou "o mais profundo pesar" pela morte de Vasco Rocha Vieira, descrevendo-o como "um dos mais ilustres oficiais do Exército Português na transição para a democracia e nas primeiras décadas da sua afirmação". "O simbolismo do momento da transferência da administração portuguesa para a chinesa permanecerá na memória de muitos portugueses como um exemplo de sentido de Estado, sentido de serviço da causa pública e de marcado patriotismo", recorda o chefe de Estado, apresentando "o testemunho de gratidão de Portugal, com muito saudosa amizade" à família.

Jornal Público

"Meine Ehre Heisst Treue" - "My Honor Is Loyalty" (this phrase was used by members of Waffen SS, as moto)

 


Faleceu hoje o último Governador de Macau, Rocha Vieira

 


Polémica. Quem são os 120 reclusos estrangeiros que levam a IL a chamar diretor da PJ ao Parlamento

 

Rui Rocha acusa Luís Neves de "lançar confusão" com dados que utilizou numa intervenção pública em que negou relação entre imigração e criminalidade. Partido quer ouvir diretor da PJ no Parlamento. a sexta-feira, o diretor da Polícia Judiciária (PJ). Luís Neves, negou a tese que relaciona o aumento da imigração com o aumento da criminalidade e recorreu aos dados que caracterizam a população prisional em Portugal para marcar o seu ponto — referiu que “120 pessoas de outros países estão presas num universo de mais de 10 mil“. O líder da Iniciativa Liberal (IL), Rui Rocha veio, no domingo, acusá-lo de usar dados “truncados” para “lançar confusão” e anunciou, através das redes sociais, que vai chamar o diretor à Assembleia da República para prestar esclarecimentos. Mas afinal, quem são os 120 reclusos que lançaram a polémica? Nem todos os criminosos estrangeiros são imigrantes, diz Luís Neves.

“Entende a IL que deve o diretor  da PJ prestar esclarecimentos sobre o real estado da criminalidade em Portugal, com o objetivo de combater as ameaças citadas, bem como sustentar a implementação de políticas públicas relacionadas com a segurança interna”, destaca-se no requerimento levado esta segunda-feira à Assembleia da República, a que o Observador teve acesso.

“A política de segurança tem de ser construída sobre factos”, defendeu o liberal na publicação que fez no X. No pedido de audição, que desce de tom em relação ao post do líder da IL, os factos enumerados por Luís Neves não são diretamente desmentidos.

Mas o partido liderado por Rui Rocha garante que carecem de explicação as “comparações temporais” de dados de criminalidade ao longo dos anos e a enumeração de vários factos, incluindo o que se refere à existência, em 2023, “de 120 reclusos de ‘outros países’, nomeadamente cidadãos originários da Índia e do Paquistão, num universo de mais de 12 mil reclusos”.

A declaração do diretor da PJ em relação às características da população prisional não surge isolada. Na conferência “O Portugal que temos e o que queremos ter”, promovida pelo Diário de Notícias, Luís Neves adiantou que hoje o grande motivo para a detenção — cumprimento de pena ou prisão preventiva — tem como crime mais comum o furto simples e qualificado, seguido da violência doméstica. E discordou da ideia de que os estrangeiros estejam relacionados com os níveis de criminalidade.

“Em 2009 tínhamos 631 estrangeiros num universo de 400 mil imigrantes” e no ano passado, com mais  e um milhão de estrangeiros residentes em Portugal, o “rácio de detidos é o segundo mais baixo” desde que há registo, sublinhou.

Quando se referia aos tais 120 reclusos, mencionou um grupo que inclui países que não os de África, da América do Sul e da Europa. Nessa categoria — que incluirá países asiáticos, por exemplo — estão 120 reclusos e 5 reclusas, as últimas não mencionadas por Luís Neves.

Os dados apresentados pelo diretor são do relatório publicado pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e pelo Ministério da Justiça que revela os dados mais recentes dos reclusos existentes em Portugal, em 31 de dezembro de 2023, segundo o escalão etário, sexo e nacionalidade.

Antes de chegar aos 120, Luís Neves mencionou as “organizações criminosas transnacionais de tráfico de estupefacientes” e a “criminalidade contra o património, que é designada como criminalidade itinerante, da América Latina e do Leste, “em que as pessoas acabam por ser presas em Portugal”. “Não são imigrantes, estamos a falar sobretudo do tráfico“, defendeu.

Destacou ainda a classificação por nacionais, dos “países de África e da América do Sul”, que são, essencialmente “mulas” — “pessoas pobres utilizadas por organizações criminosas para trazer droga in corpora que nós prendemos por ano às dezenas ou até às centenas”, descreveu. Excluindo todos estes fenómenos de criminalidade, com as nacionalidades de origem bem definidas, Luís Neves destacou de seguida os tais “outros países”, a categoria do relatório em que cabem 125 pessoas, contando com as reclusas.

Captura de ecrã dos dados de reclusos existentes em 31 de dezembro, segundo o escalão etário, sexo e nacionalidade

A IL quer que seja esclarecido este número, referente aos reclusos “originários da Índia e do Paquistão, num universo de mais de 12 mil reclusos”, bem como a alusão a “1.067 detidos pelo crime de furto simples e qualificado”, que, continua o comunicado, “representa a maior percentagem, quase 10% entre a população masculina, tratando-se sobretudo de ‘criminalidade itinerante’ não associada à imigração”.

“Ainda no início da sua intervenção, o Diretor Nacional da PJ alertou para um momento histórico em que sobressaem perceções de insegurança, ameaças híbridas, desinformação e fake news”, destacam ainda os liberais, que pretendem ser esclarecidos sobre esta e as restantes afirmações de Luís Neves.

Em março de 2024, o Instituto+Liberdade, fundado por Carlos Guimarães Pinto, atual deputado da IL, destacava numa publicação que o “significativo aumento da imigração nos últimos anos não se refletiu no aumento da criminalidade“.

“Nos últimos anos, especialmente a partir de 2017, houve um grande aumento da imigração em Portugal. Nesse ano havia cerca de 417 mil estrangeiros com estatuto legal de residente a viver em Portugal e cinco anos mais tarde, em 2022, já eram 781 mil. Quase o dobro”, escrevia o instituto.

Defendia que, analisada a “evolução do número de imigrantes e do número de crimes registados em Portugal desde 2008”, não se pode tirar a conclusão de um suposto aumento da insegurança e da criminalidade associado à imigração. “Nesse período, o número de estrangeiros cresceu 83%, ao mesmo tempo que o número de crimes registados baixou 20%”, refere.

“Mesmo após o início da grande vaga de imigração, a partir de 2017, a criminalidade manteve-se relativamente estável. É verdade que houve um aumento no número de crimes registados em 2022 face a 2021 e 2020, mas esses foram anos excecionais devido à pandemia”, ressalvava ainda o instituto.

----------------------------------

PS: O simples apuramento da nacionalidade não é suficiente. A comunidade africana de nacionalidade portuguesa, não será contabilizada, neste modelo proposto pelo Governo e pela IL, que se fica pela nacionalidade. Em 2021 o Governo tinha prometido estudar a questão de inserir mais um "item" nos dados que constam do Cartão de Cidadão, caracterizando o seu portador do ponto de vista étnico. A promessa não passou daí e até hoje nada foi feito. No entanto - e isso é visível para quem lida com a população reclusa, como os guardas prisionais - a percentagem de reclusos africanos com nacionalidade portuguesa ronda, em alguns estabelecimentos prisionais, mais de 60%. 

Falta aqui um número, para que se tenha um retrato completo do que é a população prisional portuguesa, a etnicidade. Um exemplo:

"A lei portuguesa não permite fazer uma categorização etno-racial da população prisional que nos permita visibilizar, através de dados estatísticos, em que medida o sistema judicial e prisional português é permeado por discriminações raciais. A simples observação aponta, no entanto, para uma percentagem de negros e ciganos na população prisional muito superior à sua representação na população em geral - refere um debate organizado em 2020 (I Intersectional Conference 2020 - Encarceramento e sociedade) na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)"

O que falta, realmente, é um registo dos dados sobre a origem étnica dos reclusos. Mas fazê-lo (como o Governo prometeu em 2021) era levar a Esquerda Caviar e a Esquerda Operária a dar saltos e bradar "Aqui d'el Rei" que o governo está a ser racista. Não se esqueçam de que duas das mais antigas democracias do mundo - os EUA e o Reino Unido - têm estatísticas racializadas, que ambos consideram essenciais no combate ao crime.

Um exemplo concreto: Os ciganos são cerca de 52 mil em Portugal (0,5 % da população total portuguesa) de acordo com dados do Conselho da Europa. Portugal tem perto de 10 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística. O número total de reclusos em Portugal é de cerca de 12 mil, de acordo com o Relatório de Segurança Interna de 2023.

Segundo um estudo de Sílvia Gomes e Manuel Carlos Silva, da Universidade do Minho ("Condições e trajetórias de vida de reclusos e reclusas de etnia cigana em Portugal") - a população prisional cigana ronda os 5 % - cerca de dez vezes mais do que a sua percentagem na população portuguesa. Ou seja, a percentagem dos reclusos ciganos na população prisional é 10 vezes maior do que a sua percentagem na população portuguesa, que é de 0,5 %.

--------------------------

Não falar de imigração é um tiro no pé, é o título de hoje de um artigo de opinião de Susana Peralta, no jornal Público. Aumento dos imigrantes "é uma ótima notícia" (…) traz-nos diversidade cultural", afirma Susana Peralta. Contesto completamente este ideário ingénuo e recomendo à Susana Peralta que leia com atenção as declarações de um senhor chamado Trevor Phillips (Sir Trevor Phillips…), negro, que imigrou para o Reino Unido ainda criança. 

Foi deputado e, durante alguns anos, presidente da "Equalities and Human Rights Commission (EHRC)" do reino Unido. Em 2016, na sequência de uma sondagem alargada aos muçulmanos residentes no Reino Unido, transmitida pelo "Chennel 4", Sir Trevor Phillips comentou os principais dados dessa sondagem e acrescentou a sua opinião sobre muçulmanos e outras minorias étnicas. Curiosamente, mais de 50 por cento dos muçulmanos questionados nessa sondagem disseram que a homossexualidade devia ser criminalizada:

"(...) The former head of Britain's Equalities and Human Rights Commission (EHRC), Trevor Phillips, has admitted he "got almost everything wrong" regarding immigration in a new report, claiming Muslims are creating "nations within nations" in the West.

"Phillips says followers of Islam hold very different values from the rest of society and many want to lead separate lives. The former head of the U.K.'s equalities watchdog also advocates the monitoring of ethnic minority populations on housing estates to stop them becoming "ghetto villages (...) He says schools may have to consider a 50 per cent limit on Muslim, or other minority pupils, to encourage social integration. And he says disturbing survey findings point to a growing chasm between the attitudes of many British Muslims and their compatriots.

 ----------------------------

Paulo Reis / Jornalista Freelancer / Carteira Profissional nº 351