quarta-feira, 2 de setembro de 2026

OS SETE ERROS CAPITAIS DE LUÍS NUNES DAS NEVES

 


Parece que, nas raras vezes em que abordo temas de política nacional, me calha a “fava” da administração interna.
O primeiro-ministro escolheu Lúcia Amaral para ministra, correu muito mal (apesar da extraordinária qualidade de Lúcia, minha ex-colega, como jurista). Escolheu Luís Neves e correu ainda pior (apesar da experiência do futuro ex-ministro).
Apesar de já tanto ter sido comentado a respeito do assunto, não resisto a deixar, em sete muito breves pontos, um resumo dos erros graves cometidos pelo ministro – focando-me sobretudo na comunicação.
Antes ainda, uma palavra para quem teve razão quando é mais difícil tê-la, antes dos riscos se revelarem reais: Pedro Passos Coelho, que os assinalou na altura própria, apesar do desconforto causado no seu partido e no governo.
• 1º erro capital: Não ter matado o assunto às primeiras notícias. Assumir tudo, evitar contradições, prever repercussões e dizer a verdade, custasse o que custasse.
• 2º: Ter confundido competência técnica, que de facto tem, com impunidade.
• 3º: Ter desvalorizado o poder das notícias em conta-gotas: em política, pior do que notícias “quási-fatais” de um golpe, são as notícias sucessivas “que fazem mossa”.
• 4º: Esquecer-se que é só ministro, escolhido – e convidado – pelo primeiro-ministro; só a este cabe decidir se fica se e quando sai.
• 5º: Responder, dirigindo-se a deputados, ao contrário de si eleitos, falar sobre o assunto em cerimónias oficiais como se fizesse sentido ou lhe competisse, ignorar as preocupações do Presidente da República; estas, logo que pressentidas, deviam tê-lo feito repensar e, no mínimo, fazer um sentido e sincero “mea culpa”.
• 6º: Referir-se à polícia judiciária, um dos órgãos mais prestigiados do país em matéria de luta contra a criminalidade, falando em inveja e outros pecados; e contribuindo, espera-se que não decisivamente, para ferir a sua reputação.
Não sei quanto tempo Luís Neves permanecerá como ministro.
Cada dia a mais prejudica o governo, torna mais difícil – quiçá impossível – guardar um mínimo de condições para exercer a sua função, continuará a manchar a imagem da polícia judiciária. E, sobretudo, a sua imagem.
Ao contrário da bondade da Bíblia, que tudo perdoa, sete pecados capitais, em política, sobretudo nestes tempos de comunicação frenético-digital, dificilmente serão perdoados. 

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