A melhor forma de conhecer alguns dos “novos portugueses”, designadamente os muçulmanos que hoje vivem entre nós e integram comunidades semelhantes às que se instalaram um pouco por toda a Europa, é conhecer os dados recolhidos sobre aquilo que pensam.
Esta publicação faz parte de um conjunto subordinado ao tema: “Em que acreditam os muçulmanos?" Ao lerem e comentarem, lembrem-se por favor que este tópico é delicado por falar sobre uma comunidade inteira, relegando indivíduos para segundo plano (pelo que é injusto dizer que todos os muçulmanos são assim) e que o facto de a vasta maioria ter crenças culturais incompatíveis com o ocidente não significa que todos as tenham.
São dados que recolhi para reflexão sobre que políticas públicas devem ser adotadas, e não para que alguém possa invocá-los para decidir tratar com hostilidade o próximo que encontrar. Qualquer revolta que sintam deverá ser canalizada para os políticos e não para pessoas que não têm culpa de terem sido subornadas a vir para o país através da oferta da nacionalidade fácil.
Posto isto, vamos então aos dados. Um estudo da Bertelsmann Stiftung, realizado em vários países europeus, encontrou níveis muito elevados de identificação com o país de residência entre muçulmanos: 96% em França e na Alemanha, 98% na Suíça, 89% no Reino Unido e 88% na Áustria.
À primeira vista, seria tentador concluir que o problema da integração está praticamente resolvido. Mas não está.
Quando se abandona a pergunta superficial sobre o sentimento de pertença e se começa a perguntar em que acreditam efectivamente essas populações, o quadro torna-se muito mais complexo. No mesmo conjunto de estudos, a religiosidade dos muçulmanos surge em níveis muito superiores aos da restante população. No Reino Unido, por exemplo, cerca de 64% eram classificados como altamente religiosos, contra aproximadamente 10% dos não muçulmanos. Na Áustria eram 42%, na Alemanha 39%, em França 33% e na Suíça 26%.
Nada disto constitui, por si só, um problema. O problema começa quando a fé deixa de ser apenas uma convicção pessoal e passa a reclamar primazia sobre a ordem jurídica e política comum. E é aqui que os números se tornam muito menos confortáveis.
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| Autor do artigo: xeque Aminuddin Mohamad, conselheiro espiritual da Comunidade Islâmica de Lisboa |
Num importante estudo europeu conduzido pelo Wissenschaftszentrum Berlin für Sozialforschung, realizado entre comunidades muçulmanas de vários países europeus, cerca de 60% dos inquiridos defendiam um regresso às “raízes do Islão”. Aproximadamente 75% consideravam existir apenas uma interpretação legítima do Corão, e cerca de 66% entendia que a sharia deveria prevalecer sobre a lei nacional quando ambas entrassem em conflito.
O investigador reuniu estes três critérios numa categoria de fundamentalismo religioso. Cerca de 44% dos muçulmanos estudados preenchiam simultaneamente os três critérios para a qualificação como fundamentalista. No mesmo estudo, quase 60% rejeitavam a possibilidade de ter homossexuais como amigos, cerca de 45% afirmavam não confiar em judeus e uma proporção semelhante acreditava que o Ocidente procurava destruir o Islão.
Poder-se-ia pensar que as gerações seguintes poderiam ter valores menos incompatíveis. Mas, na verdade, como veremos nas próximas publicações, existem países onde algumas das gerações mais jovens apresentam níveis de religiosidade e conservadorismo superiores aos das gerações anteriores. De resto, a Europa já está familiarizada com a existência de populações que se mantêm segregadas apesar de aqui estarem há vários séculos.
Quando milhões de pessoas transportam determinadas ideias, essas ideias deixam de ser apenas assunto privado. Tornam-se uma realidade social e, mais tarde ou mais cedo, uma realidade política, o que já é bem visível em países como Inglaterra. Nas próximas publicações, os números tornam-se bastante mais preocupantes.

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