terça-feira, 1 de setembro de 2026

O facto de a vasta maioria (dos muçulmanos) ter crenças culturais incompatíveis com o ocidente não significa que todos as tenham.

 

 

A melhor forma de conhecer alguns dos “novos portugueses”, designadamente os muçulmanos que hoje vivem entre nós e integram comunidades semelhantes às que se instalaram um pouco por toda a Europa, é conhecer os dados recolhidos sobre aquilo que pensam. 
 
Esta publicação faz parte de um conjunto subordinado ao tema: “Em que acreditam os muçulmanos?" Ao lerem e comentarem, lembrem-se por favor que este tópico é delicado por falar sobre uma comunidade inteira, relegando indivíduos para segundo plano (pelo que é injusto dizer que todos os muçulmanos são assim) e que o facto de a vasta maioria ter crenças culturais incompatíveis com o ocidente não significa que todos as tenham. 
 
São dados que recolhi para reflexão sobre que políticas públicas devem ser adotadas, e não para que alguém possa invocá-los para decidir tratar com hostilidade o próximo que encontrar. Qualquer revolta que sintam deverá ser canalizada para os políticos e não para pessoas que não têm culpa de terem sido subornadas a vir para o país através da oferta da nacionalidade fácil. 
 
Posto isto, vamos então aos dados. Um estudo da Bertelsmann Stiftung, realizado em vários países europeus, encontrou níveis muito elevados de identificação com o país de residência entre muçulmanos: 96% em França e na Alemanha, 98% na Suíça, 89% no Reino Unido e 88% na Áustria.
À primeira vista, seria tentador concluir que o problema da integração está praticamente resolvido. Mas não está.
 
Quando se abandona a pergunta superficial sobre o sentimento de pertença e se começa a perguntar em que acreditam efectivamente essas populações, o quadro torna-se muito mais complexo. No mesmo conjunto de estudos, a religiosidade dos muçulmanos surge em níveis muito superiores aos da restante população. No Reino Unido, por exemplo, cerca de 64% eram classificados como altamente religiosos, contra aproximadamente 10% dos não muçulmanos. Na Áustria eram 42%, na Alemanha 39%, em França 33% e na Suíça 26%.
 
Nada disto constitui, por si só, um problema. O problema começa quando a fé deixa de ser apenas uma convicção pessoal e passa a reclamar primazia sobre a ordem jurídica e política comum. E é aqui que os números se tornam muito menos confortáveis.
 
Autor do artigo: xeque Aminuddin Mohamad, conselheiro espiritual da Comunidade Islâmica de Lisboa

Num importante estudo europeu conduzido pelo Wissenschaftszentrum Berlin für Sozialforschung, realizado entre comunidades muçulmanas de vários países europeus, cerca de 60% dos inquiridos defendiam um regresso às “raízes do Islão”. Aproximadamente 75% consideravam existir apenas uma interpretação legítima do Corão, e cerca de 66% entendia que a sharia deveria prevalecer sobre a lei nacional quando ambas entrassem em conflito. 
 
O investigador reuniu estes três critérios numa categoria de fundamentalismo religioso. Cerca de 44% dos muçulmanos estudados preenchiam simultaneamente os três critérios para a qualificação como fundamentalista. No mesmo estudo, quase 60% rejeitavam a possibilidade de ter homossexuais como amigos, cerca de 45% afirmavam não confiar em judeus e uma proporção semelhante acreditava que o Ocidente procurava destruir o Islão.
 
Poder-se-ia pensar que as gerações seguintes poderiam ter valores menos incompatíveis. Mas, na verdade, como veremos nas próximas publicações, existem países onde algumas das gerações mais jovens apresentam níveis de religiosidade e conservadorismo superiores aos das gerações anteriores. De resto, a Europa já está familiarizada com a existência de populações que se mantêm segregadas apesar de aqui estarem há vários séculos. 
 
Quando milhões de pessoas transportam determinadas ideias, essas ideias deixam de ser apenas assunto privado. Tornam-se uma realidade social e, mais tarde ou mais cedo, uma realidade política, o que já é bem visível em países como Inglaterra. Nas próximas publicações, os números tornam-se bastante mais preocupantes. 
 

Copiado de João Pereira dos Santos - Advogado (As imagens e vídeos foram acrescentados por mim)

 
 

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