Dois dos pregadores islâmicos que encerraram as festividades do Eid al-Adha, a segunda mais sagrada do Islão, na Praça do Martim Moniz e na Alameda Afonso Henriques, deixaram mensagens extremistas e ameaçadoras em relação aos não-muçulmanos. O pregador do Martim Moniz salientou que a festa foi realizada "sem nenhum tipo de obstáculo" e que "Eles (????) nos apoiaram de todas as formas e em todos os lugares." Adiantou que "neste país há muitas oportunidades para o serviço do islamismo (...) Se trabalharmos com sinceridade para a religião, então certamente a religião (islâmica) será estabelecida novamente nesta terra".
O segundo pregador, no seu discurso de encerramento das festividades, na Alameda Afonso Henriques, apelou para que Allah concedesse "vitória aos muçulmanos na Palestina e em Gaza e derruba o politeísmo e os politeístas e a rebelião contra a religião em nossas terras e em todas as outras terras dos muçulmanos, uma nação unida e esplêndida até ao Dia do Juízo." - a Ummah, a nação muçulmana que abrangerá todo o mundo, sob domínio muçulmano.
"Ó (Allah) orienta os nossos governantes e fazei, ó Deus, com que nossos governantes estejam entre os que Te temem e amam o teu Mensageiro e que sigam os Teus aliados," acrescentou o pregador.
"Ó Deus, concede-nos a vitória sobre a religião", adiantou o pregador sem mencionar qual a religião sobre a qual se pretendia a vitória - sendo. no entanto óbvio que se trata da religião cristã. No final do discurso, o pregador pediu a benção de Allah "para todos os muçulmanos em tua terra e em teu mar, a nação de Muhammad" - uma referência directa ao conceito de Ummah, um termo que se refere específicamente a um mundo dominado pela religião muçulmana, à comunidade global de crentes do Islão, unida acima de quaisquer fronteiras geográficas, barreiras linguísticas, nacionalidades ou divisões políticas.
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Transcrição integral do discurso proferido na Alameda Afonso Henriques
Allah, por favor concede vitória aos muçulmanos, ó Allah, concede vitória aos muçulmanos na Palestina e em Gaza e derruba o politeísmo e os politeístas e a rebelião contra a religião em nossas terras e em todas as outras terras dos muçulmanos, uma nação unida e esplêndida até ao Dia do Juízo.
Ó Deus, dá-nos segurança em nossos lares e orienta os nossos governantes e fazei, ó Deus, com que nossos governantes estejam entre os que Te temem e amam o teu Mensageiro e que sigam os Teus aliados, por Tua misericórdia, ó Mais Misericordioso dos misericordiosos.
Ó Deus, concede-nos a vitória sobre a religião e protege os tesouros dos muçulmanos e faze-nos daqueles que se apegam à religião de Muhammad, que a paz e as bençãos de Deus esteja com ele, e siga a sua sunnah, e obedeça à sua sharia e conceda-nos a sua intercessão.
Ó Deus, perdoa-nos e aos crentes e às crentes, e aos muçulmanos e às muçulmanas, os vivos entre eles e os mortos. Ó Deus, não desampares os familiares nos túmulos, em seus túmulos, e perdoa-lhes e pacifica os seus assuntos e salda as suas dívidas e cura os doentes e dá-lhes saúde, segurança, sucesso e orientação. E para todos os muçulmanos em tua terra e em teu mar, a nação de Muhammad, que Deus o abençoe.
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Transcrição integral das declarações do pregador no Martim Moniz
Pela misericórdia de Allah Ta'ala nos abençoou, em um país não muçulmano, de forma muito bonita, sob o céu aberto realizámos a congregação do Eid, sem nenhum tipo de obstáculo. Eles (????) nos apoiaram de todas as formas e em todos os lugares. Isso é uma grande inspiração para a nossa religião. Neste país há muitas oportunidades para o serviço do islamismo. Se trabalharmos com sinceridade para a religião, então certamente a religião (islâmica) será estabelecida novamente nesta terra, se Deus quiser. Que Allah Todo-Poderoso nos aceite a todos como propagadores da religião."
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A celebração da passada quarta-feira foi a festa do Eid al-Adha, a segunda mais sagrada do Islão, que celebra o episódio em que Abraão é chamado por Deus para sacrificar o próprio filho. Estas celebrações são marcantes porque, pela primeira vez, em Portugal, a Comunidade Islâmica de Lisboa não teve nada a ver com a celebração, organizada apenas pela Comunidade Islâmica do Bangladesh.
O xeque David Munir era aceite, como autoridade religiosa máxima, por cerca de 40 mil crentes, a maioria residentes em Portugal há dezenas de anos, muitos deles provenientes de Moçambique, outros já com a nacionalidade portuguesa.
Os muçulmanos do Bangladesh rondam actualmente os 100 mil. Há um cisma nos muçulmanos em Portugal, com os bangladeshi a recusarem a autoridade religiosa do Xeque David Munir. Mais um exemplo disso, para além desta celebração, é o facto de a Comunidade Islâmica do Bangladesh controlar já 14 das cerca de 60 mesquitas/lugares de culto islâmicos, em Portugal.
PS1: Um pormenor, o panfleto não está escrito em árabe mas em Urdu
PS2: Nos posts sobre esta festividade, no Facebook, muita gente levanta uma questão simples: mas estes milhares de homens (mulheres não são autorizadas) não trabalham?

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