
Não existe um consenso histórico ou uma condenação judicial que aponte um único político como o "mais corrupto" da Primeira República (1910–1926). No entanto, a figura central do período, Afonso Costa, líder do Partido Republicano Português e várias vezes chefe do governo, foi frequentemente alvo de intensas acusações de corrupção, enriquecimento ilícito e uso político do Estado por parte dos seus opositores.
O ambiente político da Primeira República era marcado por grande instabilidade, facciosismo e uso da propaganda. A pecha de corrupção foi largamente aplicada de forma genérica ao regime e aos seus dirigentes, servindo também de argumento para a oposição e para a retórica que culminou no golpe militar de maio de 1926.
Fatores associados às acusações da época: Acusava-se Afonso Costa de ostentar sinais exteriores de riqueza pouco comuns na época — como ser um dos primeiros proprietários de automóveis em Lisboa ou passar férias de luxo na Suíça —, embora os defensores apontassem que ele já era um advogado bem-sucedido antes de entrar na política.
O Partido Republicano implementou uma teia de nomeações e distribuição de cargos públicos pelos seus apoiantes (o chamado "amiguismo"), prática vista pelos críticos como uma forma sistémica de corrupção política. Jornais monárquicos, católicos e da oposição republicana usavam o argumento da corrupção como arma de arremesso constante contra os governos afonsistas, num período sem tribunais de contas ou escrutínio moderno independente.
Mais do que casos provados de corrupção individual nos moldes atuais, a I República ficou associada a uma crise moral e financeira global do Estado, frequentemente descrita por historiadores como um esgotamento geral das instituições e das práticas clientelares do parlamentarismo da altura. Foi isso que abriu as portas a um senhor sisudo e de poucas falas, professor de Direito.
Lembro-me de o meu falecido pai, que tinha boa memória e o prazer de me contar histórias antigas, dos seus tempos de criança, nascido e criado num aldeia miserável da Beira Baixa, me reproduzir uma conversa da minha avô, com uma vizinha, a propósito de Salazar.
"Com este, pelo menos, o pão já não aumenta" - dizia a amiga da minha avó. Com este, entenda-se, António de Oliveira Salazar, ministro das Finanças desde 27 de Abril de 1928. Só quem viveu esses tempos ou deles teve conhecimento pela memória que lhe foi passada pela geração anterior pode imaginar o peso que o simples pão tinha na economia familiar.
Em casa do meu pai, um dos cinco filhos de uma viúva, comida eram batatas, couves e algumas rodelas de chouriço, apenas para dar sabor. Quando as finanças estavam melhor e a minha avó conseguia vendar mais ovos - produto de um modesto galinheiro, onde também criava perús - acrescentavam-se umas tiras de presunto.
Quanto a Salazar, não consta que tivesse um tanque transmutado em piscina ou carros de alta gama. Era tão poupado que os únicos luxos que lhe conhecem eram os ovos frescos que a D.Maria, a sua eterna governante, colhia no pequeno galinheiro instalado nos jardins do Palacete de S.Bento e as couves que também cultivava nesses jardins.
Salazar
mudou-se para o Palacete de S.Bento depois de ter sido alvo de um
atentado bombista, em 1937, à porta da casa onde vivia, no nº 64 da
Rua Bernardo Lima. Ali viveu o resto da sua vida, com a fiel D.Maria, os seus ovos frescos e as
couves tronchudas que, com uma posta de bacalhau e um fiozinho de
azeite satisfaziam o ditador que nunca teve um
Delaunay-Belleville, a marca francesa considerada, na época, o "Rolls-Royce do
mundo francófono" e que representava o auge do luxo, da engenharia
e do prestígio internacional.
Um modelo Delaunay-Belleville (que custaria, a preços da altura, cerca de 60 mil euros) foi adquirido logo no início do novo regime para servir de viatura oficial ao Dr. Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da República Portuguesa eleito. Feitas as contas e convertendo a moeda em escudos, depois em euros, o valor do carro com que Luís Neves anda custaria hoje à roda dos 40 mil euros.
As despesas com o funeral de António de Oliveira Salazar e com o seu longo período de doença, foram integralmente suportadas pelo Estado Português. Salazar faleceu a 27 de julho de 1970 e foram decretados quatro dias de luto nacional.
O funeral realizou-se a 30 de julho no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e foi um Funeral de Estado. Foram cumpridos os seus desejos, sendo sepultado em campa rasa, ao lado dos pais, no cemitério da sua terra natal, Vimieiro, em Santa Comba Dão.
(Com 'deepseek', 'Google AI' e 'Wikipedia')
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