Ora aí está uma notícia que nem sequer pode ter sido escrita com os pés. No máximo, com dois dedos de um pé. Nessa notícia, do Diário de Notícias, o escriba (Redação do DN...) depois de explicar que um "cidadão estrangeiro" foi morto a tiro, na Póvoa do Varzim, esclarece que "o homem, de nacionalidade estrangeira, embora não tivesse documentos consigo, não resistiu aos ferimentos provocados por vários tiros, e acabou por morrer".
Como é que a Redacção do DN (informada pelas autoridades) descobriu que o homem era "de nacionalidade estrangeira", se não tinha documentos? Parece-me simples: tratava-se de um cidadão cujas características fisionómicas permitiam concluir que se tratava de alguém com estrangeiro, e não de um cidadão português, na generalidade caucasianos ou brancos, para ir direto ao assunto.
E escrevo em princípio porque nada garante que o indivíduo, tendo uma determinada aparência - indostânico, nepalês, chinês, etc - não possa também ter a nacionalidade portuguesa. Mas o exemplo desta imbecilidade jornalística mostra bem o tremor nas pernas que afecta cada jornalista, quando tem que lidar com crimes que envolvem pessoas não-caucasianas - não-brancos, chamando os bois pelo nome - e se vêem frente a frente com aquele horror que a esquerda tem em "criminalizar" os imigrantes, quando são eles que cometem crimes.

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