terça-feira, 9 de setembro de 2025

Mamadou Ba: "A morte do colonialismo é ao mesmo tempo a morte do colonizado e a morte do colonizador”

 

(...)

"O pensamento de Fanon, por ser uma negação da negação da humanidade do sujeito colonial, é a antítese da resignação ao fardo colonial e seu corolário, a racialização. Há pouco tempo, uma declaração minha ativou um sentimento de filiação ao “homem branco colonialista, racista e assassino” ao ponto de suscitar grande comoção coletiva no espaço público, o que prova que o imaginário colonial persiste nas nossas sociedades e o fantasma da hierarquia racial o ensombra. 

Prova, também, que está por cumprir a visão de Fanon: A morte do colonialismo é ao mesmo tempo a morte do colonizado e a morte do colonizador”. O colonialismo não morre tão somente pela libertação política e subjetiva do colonizado se o colonizador não o matar em si, política e subjetivamente. O pensamento de Fanon recusa facilitismo, confronta-nos a nunca resignar sempre que a dignidade esteja ameaçada. Era resolutamente contra o status quo

A vontade de interrogar e desafiar permanentemente a realidade está bem plasmada na última frase de Pele Negra, Máscaras Brancas: “A minha última prece: ó meu corpo, faz de mim sempre um homem que interroga!” Ele sabia que só assim a rebeldia do espírito de liberdade contra a pobreza da certeza da servidão poderia triunfar.

O legado de Fanon é uma farmácia atual e necessário para curar o determinismo biológico que estratifica e fixa as pessoas em função da sua cor de pele ou cultura mas, sobretudo, para derrotar o supremacismo branco que estruturou todos os seus privilégios acumulados ao longo da história a partir da ideia de superioridade racial. 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário

A AIMA anunciou que tem 55 mil pedidos de reagrupamento para despachar

Quem pode ser reagrupado     Cônjuge ou parceiro em união de facto (comprovada há mais de dois anos).     Filhos menores ou incapazes a carg...