A Irmandade Muçulmana, o “polvo” do islamismo
Pelo menos 7 países baniram totalmente ou declararam a Irmandade Muçulmana (Islamic Brotherhood ou Ikhwan) como uma organização terrorista:
Médio Oriente África: Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein, Jordânia e Síria.
Ásia Central: Cazaquistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão também proíbem o grupo severamente.
Outras nações, como os Estados Unidos e a Argentina, optaram por designar apenas algumas ramificações específicas ou alas militares da Irmandade como grupos terroristas. A nível global, a organização mantém uma presença descentralizada com ramificações em dezenas de países, sendo apoiada ou tolerada por estados como a Turquia e o Qatar.
A Irmandade Muçulmana utiliza uma estratégia de implantação gradual e indireta em países não-muçulmanos, frequentemente teorizada por ideólogos do grupo como "Infiltração Pacífica" ou "Jiade Civilizacional" (Civilizacional Jihad). O método baseia-se em não confrontar diretamente as leis locais, mas sim usar as liberdades democráticas ocidentais para construir uma infraestrutura social e política paralela.
O processo divide-se em quatro pilares fundamentais:
1. Criação de Organizações de Fachada
O grupo raramente opera com o nome "Irmandade Muçulmana". Em vez disso, fundam associações locais que aparentam ser civis, legítimas e moderadas:
Federações e Conselhos: Organizações que se autointitulam as "vozes oficiais" ou "representantes" de todos os muçulmanos perante o governo local. (Fundação Islâmica de Palmela p. ex.)
ONGs de Direitos Humanos: Associações de combate à discriminação e à islamofobia para obter simpatia pública e proteção legal, muitas vezes apoiadas ou em parceria com organizações políticas de Esquerda.
2. Controlo da Infraestrutura Religiosa e Social
A Irmandade procura hegemonia cultural dentro da própria comunidade muçulmana migrante:
Mesquitas e Centros Culturais: Financiamento e gestão de locais de culto para controlar a narrativa religiosa e a nomeação de imãs.
Escolas e Escutismo: Criação de instituições educativas e de tempos livres para doutrinar as camadas mais jovens desde cedo. (Mesquita e Centro Comunitário de Mem-Martins, p.ex.)
3. Ativismo Político e Lobismo
O grupo infiltra-se nas estruturas democráticas para influenciar decisões políticas de fora para dentro:
Parcerias com o Estado: Posicionam-se como os interlocutores preferenciais dos governos ocidentais para gerir assuntos de integração, segurança e contraterrorismo.
Alianças de Conveniência: Apoio a partidos políticos progressistas ou de esquerda, instrumentalizando a agenda da diversidade e das minorias para ganhar espaço político (caso do Green Party no Reino Unido)
4. Isolamento Comunitário (Sociedades Paralelas)
O objetivo final a médio prazo é evitar a assimilação cultural dos muçulmanos na sociedade recetora:
Identidade Segregada: Promovem a ideia de que o muçulmano deve lealdade primeiro à Ummah (comunidade islâmica global) e só depois ao país onde reside.
Sistemas Alternativos: Incentivo à criação de tribunais de arbitragem da Sharia (para casamentos, divórcios e finanças islâmicas), criando um ecossistema legal e social paralelo ao Estado de Direito.
No Reino Unido há mais de uma centena de tribunais islâmicos. Numa sondagem realizada em Abril de 2016 - "O que os muçulmanos britânicos realmente pensam?" - a pergunta feita numa pesquisa do Channel 4, conduziu a conclusões que desencadearam muita polémica. O responsável pela apresentação do estudo, Trevor Phillips, declarou que os muçulmanos da Grã-Bretanha estão se tornando uma nação dentro de uma nação. As conclusões de Phillips sobre a hostilidade dos muçulmanos britânicos em relação à sociedade dominante, o seu isolamento e conservadorismo, dominaram as manchetes.
Mas a Irmandade Muçulmana não é a única organização fundamentalista que camufla as suas intenções sob uma capa de boas-intenções e de pacífica convivência com os não-muçulmanos. Os Tablighi Jamaat, também foram banidos de uma série de países islâmicos: Iran, Uzbekistan, Tajikistan and Kazakhstan, Russia and Saudi Arabia. Em alguns países da Ásia Central, como o Uzbekistan, Tajikistan e Kazakhstan e na Arábia Saudita, os Tablighi Jamaat são comsiderados como extremistas.
Em Portugal, a sua presença era assinalável nas eleições para a liderança da Comunidade Islâmica de Lisboa. O seu voto garantia sempre a eleição do presidente da CIL e um dos seus membros fazia parte da direcção daquela comunidade. Abdul Karim Vakil, filho, foi muito crítico em relação à actuação das Tablighi Jamat em Portugal:
“O Grupo extremista Tabligh Jamaat "representa, por um lado, e incontestavelmente, a força de maior dinamização do Islão entre os muçulmanos em Portugal. Por outro, o seu rigoroso tradicionalismo, traduzido na prescrição do próprio vestuário, na estrita separação entre os sexos, numa atitude de distanciamento em relação à sociedade exterior, representa, como já referi, um factor de ruptura na tendência histórica para a integração na atitude dos muçulmanos em Portugal", escreveu, num estudo sobre o Islão em Portugal.
O recente afluxo de muçulmanos provenientes do Bangladesh alterou o equilíbio de forças no seio da comunidade islâmica em Portugal. Os imigrantes do Bangladesh não reconhecem a autoridade religiosa do xeque Munir e têm os seus próprios imãs. Num total de cerca de 70 mesquitas e lugares de culto, 14 já são controlados por muçulmanos do Bangladesh – uma discreta manobra, típica das tácticas da Irmandade Muçulmana.
A principal estratégia da Irmandade Muçulmana, em Portugal, tem-se concentrado na construção de escolas alegadamente “internacionais”, como a Internacional School of Palmela e abertas a estudantes não muçulmanos. O facto é que, por exemplo, na Escola as alunas e alunos estão separados, nas salas de aula. E no ensino secundário, passam a ter tumas separadas, com as crianças do sexo feminino a ter que usar o tchador, o lenço islâmico, para além de passar a ser ministrado o ensino islâmico facultativo, alegam os responsáveis pela escola.
Aaposta na construção de escolas islâmicas é clara, desde há muito. Há alguns anos, a revista Al-Madinah, pubicação da Comunidade Islâmica do Sul do Tejo, apelava para que fossem construídas mais escolas islâmicas, uma vez que as escolas normais “destroem a fé islâmica”. A estratégia de construção de novas escolas, mesquitas e madrassas (escolas islâmicas) tem vindo a ser aplicada, recorrendo muitas vezes ao financiamento de países muçulmanos, entre os quais se destacam o Quatar e a Turquia – por casualidade, os dois principais apoiantes do movimento terrorista Hamas.
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